Laura Korobinski explica por que comer melhor não exige radicalismo

Mudanças graduais e hábitos possíveis são mais importantes para manter uma alimentação saudável ao longo do tempo

A alimentação está entre os principais fatores que influenciam a saúde e a qualidade de vida. Nesse processo, o nutricionista tem o papel de avaliar os hábitos, a rotina e as necessidades de cada pessoa para orientar escolhas que possam ser mantidas ao longo do tempo. Na última segunda-feira (31), foi celebrado o Dia do Nutricionista, data que destaca a atuação desses profissionais na promoção da saúde e na prevenção de doenças.

Para a nutricionista Laura Korobinski Scherner, que atua principalmente na área clínica, com abordagem integrativa e voltada à performance, o trabalho vai além da elaboração de um plano alimentar. “Procuro entender a pessoa como um todo, sua rotina, seus hábitos, seus sinais e sintomas, seus exames, sua relação com a comida, seus objetivos e também as dificuldades que fazem parte do dia a dia,” explica Korobinski.

Segundo Laura, mudanças simples e sustentáveis podem trazer efeitos na disposição, no sono, na saúde intestinal, na composição corporal e no desempenho. Ela destaca que um dos erros mais comuns é passar muitas horas sem comer.

Atenção aos hábitos

De acordo com a nutricionista, fazer apenas duas ou três refeições por dia pode dificultar o controle das quantidades consumidas e interferir em objetivos como emagrecimento e ganho de massa muscular. Outro ponto é a falta de atenção durante as refeições. “Quando estamos no celular, assistindo TV ou trabalhando enquanto comemos, podemos perder a percepção de fome e saciedade e até da quantidade que estamos consumindo,” afirma Korobinski.

O hábito de beliscar ao longo do dia também merece atenção. Bala, chiclete, bolacha, café acompanhado de algum alimento e pedaços de bolo podem parecer pouco quando vistos de forma isolada. Porém, quando o comportamento se repete várias vezes ao dia, pode alterar o conjunto da alimentação.

Laura também chama atenção para refeições com pouca proteína, fibras e alimentos in natura, que podem comprometer a qualidade nutricional e a saciedade.

Organização facilita a rotina

Para a nutricionista, melhorar a alimentação não significa necessariamente aumentar os gastos ou passar mais tempo na cozinha. Planejamento e organização podem ajudar a manter escolhas mais equilibradas.

Uma das estratégias usadas por ela no mercado é a ‘regra dos 3’, com três opções de carboidratos, proteínas, frutas, legumes, folhas e laticínios. Entre os exemplos estão arroz, macarrão e batata; frango, ovos e carne moída; banana, maçã e mamão; além de legumes e folhas variados. Feijão, lentilha ou grão-de-bico completam as opções. A orientação é também priorizar alimentos da época.

Preparar refeições ou ingredientes com antecedência e congelá-los é outra alternativa para os dias mais corridos. A prática pode reduzir a necessidade de recorrer a opções menos nutritivas por falta de tempo.

A alimentação equilibrada também tem relação com a prevenção e o controle de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Quando associada à atividade física, ao sono adequado e a outros hábitos saudáveis, pode contribuir para a qualidade de vida e a disposição.

Mudanças possíveis

Para quem deseja começar a cuidar melhor da alimentação, Laura recomenda partir do básico: aumentar o consumo de alimentos in natura, incluir fontes de proteína e fibras nas refeições, beber mais água e reduzir a frequência dos ultraprocessados.

A nutricionista, porém, alerta contra mudanças radicais. “Pequenas mudanças que conseguimos manter são muito mais importantes do que mudanças radicais que duram poucas semanas,” diz Korobinski.

A proposta do acompanhamento nutricional, segundo ela, é ajudar o paciente a compreender melhor o próprio corpo e desenvolver autonomia. “A ideia é aprender a se alimentar bem para a vida,” conclui.