Ataques de EUA e Israel ao Irã deixam 201 mortos e 747 feridos
Até o fechamento desta matéria, bombardeios provacaram mais de 200 mortes, atingiram Teerã e outras cidades e o Irã retaliou com mísseis e drones contra Israel e bases americanas no Golfo
Os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã deixaram ao menos 201 mortos e 747 feridos, segundo a rede humanitária ‘Crescente Vermelho’, citada pela imprensa iraniana. As ações ocorreram na madrugada deste sábado (28), com explosões registradas em Teerã e em outras cidades. Entre os mortos estão o ministro da Defesa iraniano e o comandante da Guarda Revolucionária, segundo fontes ouvidas por agências internacionais.
Os bombardeios atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e instalações militares. A imprensa estatal informou que ao menos 51 estudantes morreram após uma escola ser atingida no sul do país, além de outras 15 vítimas em um ginásio. Autoridades disseram que o líder supremo, Ali Khamenei, não estava na capital no momento dos ataques, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian foi declarado em segurança.
Retaliação amplia tensão na região
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases americanas no Oriente Médio. O Catar informou ter sido alvo de 44 mísseis e oito drones. Explosões também foram registradas em Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. Nos Emirados, uma pessoa morreu em Abu Dhabi. Na Síria, um ataque deixou quatro mortos, segundo a Reuters.
Países do Golfo acionaram sistemas de defesa antimísseis e adotaram medidas de segurança. O Catar suspendeu eventos públicos e atividades turísticas. Companhias aéreas interromperam voos na região, e operações no aeroporto de Dubai foram paralisadas. Dois voos que partiram de São Paulo com destino a Doha e Dubai retornaram.
Mortes de comandantes e reação internacional
Fontes confirmaram a morte do ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e do comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour. O governo iraniano classificou a ofensiva como uma agressão militar criminosa e afirmou que responderá com firmeza.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o objetivo é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o país de ameaças. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a operação busca eliminar riscos à segurança israelense. Já o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou os ataques e alertou para o risco de escalada do conflito na região.
Cerco no Oriente Médio
Os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Oriente Médio nas últimas semanas com o envio dos porta aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford. As embarcações passaram a atuar ao lado de navios de guerra e das bases militares que os norte americanos já mantêm na região.
Ao todo, os EUA operam ao menos dez bases em países próximos ao Irã e mantêm tropas em outras nove unidades. Também houve envio de aeronaves para bases na Europa e para Israel, segundo autoridades e registros de deslocamento militar.
Enquanto isso, o Irã promoveu exercícios militares conjuntos com Rússia e China. Imagens de satélite indicam que o país ampliou medidas de proteção e camuflagem em instalações ligadas ao seu programa nuclear.
Onda de protestos
A pressão dos Estados Unidos aumentou no início do ano após protestos contra o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. As manifestações foram reprimidas por forças de segurança, com milhares de mortes relatadas por organizações e veículos internacionais.
Na ocasião, o presidente Donald Trump afirmou que poderia adotar medidas militares caso a repressão continuasse. Com o enfraquecimento dos atos, o governo americano passou a defender a retomada de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
No dia 20 de fevereiro, novos protestos foram registrados, desta vez com participação de estudantes no início do período letivo. Autoridades em Teerã alertaram que não aceitariam ações consideradas ilegais.
Crise no Irã
O Irã enfrenta uma crise econômica agravada pela reimposição de sanções dos Estados Unidos. As medidas começaram em 2018, após a saída americana do acordo internacional que limitava o programa nuclear iraniano.
Ao retornar à presidência em janeiro de 2025, Trump retomou a política de pressão econômica e diplomática. Em setembro, novas sanções foram aprovadas pelas Nações Unidas, levando o governo iraniano a discutir medidas para conter os efeitos na economia. O cenário também foi afetado pelo confronto com Israel em junho, quando forças israelenses e americanas atingiram alvos ligados ao programa nuclear iraniano.
Disputa antiga
As tensões entre Irã e Estados Unidos remontam a 1979, quando a Revolução Islâmica instituiu o regime dos aiatolás. Desde então, os dois países acumulam episódios de confronto político, econômico e militar.
Durante o governo de Barack Obama, houve avanço diplomático que levou ao acordo nuclear de 2015, que estabeleceu limites ao programa iraniano. Em 2017, Trump retirou os Estados Unidos do tratado e restabeleceu sanções.
Em 2020, uma operação americana matou o general Qassem Soleimani, um dos principais líderes militares iranianos. No ano passado, os Estados Unidos realizaram um novo ataque contra instalações nucleares iranianas, seguido por uma resposta limitada e um acordo de cessar fogo temporário.



