Vó Totonha emociona e ensina crianças no Paraná

Professora de Nova Laranjeiras, entrevistada do ‘PodCor’, percorre escolas com personagem que une poesia, afeto e inclusão

A sala de aula pode ganhar novos contornos quando a educação encontra a arte. É com essa proposta que a professora Silvana Schilive, de Nova Laranjeiras, tem percorrido escolas da região levando a personagem ‘Vó Totonha’, criada para aproximar crianças e adolescentes da literatura de forma simples e envolvente.
Com formação em Letras e trajetória dedicada ao ensino, Silvana construiu a personagem ao longo do tempo. O projeto não nasceu de um planejamento formal, mas de convites para atividades escolares que foram se multiplicando. Aos poucos, figurino, linguagem e histórias foram sendo ajustados conforme a resposta do público.
“Foi tudo sendo construído. Eu fui percebendo o que funcionava com as crianças e fui adaptando”, afirmou em entrevista ao episódio 14 do ‘Podcor’, do jornal Correio do Povo.

Arte como apoio à educação
A ‘Vó Totonha’ atua como uma ponte entre o conteúdo escolar e o universo lúdico. Por meio de poemas, histórias e interação direta, a personagem busca despertar o interesse pela leitura e pelo aprendizado. Em um cenário em que a atenção dos alunos é disputada por diferentes estímulos, a proposta aposta na simplicidade e no contato humano.Silvana avalia que há uma carência de atividades artísticas nas escolas, seja por falta de recursos ou por limitações estruturais. Nesse contexto, a presença da personagem cria um ambiente mais acolhedor e participativo.O trabalho já alcançou diversos municípios da região da Cantuquiriguaçu, incluindo cidades entre Guarapuava e Ibema. Em Laranjeiras do Sul, a professora também passou por diferentes instituições de ensino. As apresentações são realizadas de forma voluntária. As escolas organizam a logística, enquanto a produção dos materiais fica sob responsabilidade da autora.

Histórias que refletem realidades
Ao longo de cerca de 20 anos de atuação, a professora reuniu experiências que mostram o alcance do projeto. Em uma apresentação para adolescentes, durante uma atividade voltada à Semana dos Idosos, uma estudante reagiu de forma negativa ao tema abordado.Durante a atividade, a jovem interrompeu a apresentação com críticas e palavras ofensivas. Diante da situação, Silvana decidiu incluí-la na dinâmica, convidando-a a participar da leitura de um poema. Após o evento, a estudante relatou dificuldades vividas com os avós, em um contexto de vulnerabilidade.O episódio marcou a trajetória da professora e influenciou sua forma de atuação. “Eu aprendi que preciso estar preparada para diferentes reações. Nem todos vivem as mesmas experiências”, disse.Apesar de situações pontuais, ela destaca que os retornos positivos são predominantes. Professores e familiares relatam mudanças no comportamento das crianças, com maior interesse por leitura e participação nas atividades escolares.

Produção própria e inclusão
Além das apresentações, a Vó Totonha também ganhou materiais educativos. Entre eles, uma revista que reúne histórias, poemas e atividades. O conteúdo foi pensado para alcançar diferentes perfis de alunos, incluindo aqueles com dificuldades de leitura.Parte das atividades utiliza linguagem visual, permitindo que crianças não alfabetizadas ou com necessidades específicas também participem. Os personagens que acompanham a Vó Totonha, como animais e figuras simbólicas, ajudam a abordar temas como empatia, convivência e superação. “A brincadeira vira poesia e a poesia vira alegria”, resume a personagem.Sem patrocínio, a produção é financiada pela própria professora. A venda dos materiais auxilia na continuidade do trabalho, mas não é a principal fonte de sustentação.

Afeto como resultado
Mais do que conteúdo pedagógico, o projeto aposta no vínculo emocional. Durante as apresentações, a interação direta com o público é um dos principais elementos. Crianças costumam se aproximar da personagem, tocar nos adereços e participar ativamente das histórias. “A vida vale muito a pena viver.”, afirma a personagem em outro momento.Silvana afirma que o encantamento é visível e difícil de descrever. Para ela, o impacto vai além do momento da apresentação. “É algo que fica com eles”, resumiu.Ao completar duas décadas, a iniciativa segue ativa e em expansão. Em meio aos desafios da educação contemporânea, a proposta reforça o papel da arte como instrumento de aprendizagem e de construção de relações.