Entrevista: Serginho Schiochet fala sobre demissão do Marreco

Ex-técnico da Seleção foi dispensado pelo clube de Beltrão nesta semana, após 18 meses de trabalho

Por Juliam Nazaré

Após 18 meses de trabalho, Serginho Schiochet deixou o Marreco Futsal nesta semana. Até então, ele era o 11º técnico mais longevo do estado. Durante a trajetória em Beltrão, conquistou, em 2019, a Liga Futsal Paraná. Na contramão, em 2021, o treinador não conseguiu vencer na temporada. Foram quatro jogos pela Série Ouro – três derrotas e um empate – e duas derrotas na Liga Nacional. O ápice foi o 7×1 sofrido, na semana passada, para o Joinville

Diante do jejum, a diretoria optou por trocar o comando técnico e trazer de volta Fabinho Gomes. Ex-técnico da Seleção Brasileira, Serginho vivenciou no Marreco a primeira experiência no futsal paranaense. Na tarde de quarta-feira (5), ele concedeu entrevista a Juliam Nazaré e avaliou o trabalho em Beltrão e falou sobre o as pretensões para o futuro. Confira: 

Correio: Você assumiu o clube, em 2019, num momento delicado para o Marreco. No entanto, conseguiu bons resultados, inclusive com um título. Como avalia esse período de trabalho? Como foi a experiência no Marreco?

Serginho: Comecei o trabalho em 1º de novembro de 2019. Cheguei na reta final da temporada, num momento turbulento, sabendo que alguns jogadores não iriam ficar para a próxima temporada. Conseguimos baixar a poeira, o 1º título a nível estadual do clube e chegamos na semifinal do Paranaense. Atingimos uma conquista importante. Para 2020, o objetivo era frear os investimentos. Fizemos uma reformulação quase completa no grupo e, aos poucos, as coisas foram funcionando, apesar da pandemia nos ter freado. Conseguimos fazer uma temporada boa, competitiva, com elogios por parte da imprensa e da torcida. Resgatamos a vibração e a alegria, comentada por muitos, sumida há muito.

Trabalhar no Marreco foi uma grande satisfação. Vivi o campeonato mais valorizado do Brasil. Sou grato por isso. O momento do clube é difícil. Com todos esses anos de investimento, não conseguiu títulos de expressão. É um peso enorme, que todos os atletas e integrantes da comissão precisam carregar. Não é diferente de outros clubes. 

A gente tinha um planejamento de trabalho a longo prazo. A ideia era fazer com que a equipe tivesse uma apresentação melhor em relação ao ano passado, mas infelizmente não encaixou. Os resultados fazem com que algumas medidas sejam feitas e eu entendo a minha saída, pois a cultura do resultado é a que fala no Brasil, independente se o trabalho é bem feito. Procurei viver o Marreco 24 horas nesses 17 meses, ajudando não só dentro de quadra. Torço que o clube tenha sucesso. A decisão não agrada a todos e isso faz parte. O que conta nesses momentos são os resultados, que não tenho. Desejo boa sorte ao novo comandante e aos jogadores, que consigam sair dessa situação. O Marreco não merece passar pelo que está passando.

Correio: Como foram os últimos dias de trabalho no Marreco? 

Serginho: Os trabalhos foram normais. Sempre dando confiança aos atletas, com muita cobrança entre nós. Os últimos resultados nos trouxeram dificuldade, ansiedade e necessidade de vitória e isso trás desequilíbrio individual e tático. Foi isso o que aconteceu e o resultado em Joinville pesou muito. Eu havia falado com a diretoria e a tendência era a chegada de três peças nesta semana, para qualificar o grupo. Fiquei surpreso (com a demissão) pois esperava pela continuidade, mas sei que o resultado não foi legal para a imagem do clube. Sou funcionário e preciso entender que deixei a desejar em alguns pontos e o clube se achou no direito de fazer essas mudanças.

Foto: Jornal de Beltrão

Correio: Os anúncios da tua saída e da contratação do Fabinho foram feitos na mesma publicação pelo Marreco. Isso te chateou?

Serginho: Não vejo dessa forma. Na segunda pela manhã, conversamos com o Mauro Córdova (supervisor) sobre algumas medidas. Ele relatou a saída de alguns jogadores e a troca do comando técnico. Acredito também que as coisas foram evoluindo na conversa com esse profissional. Não tenho que ficar chateado. Quando cheguei também foi na saída de alguém. Isso é comum. Desejo tudo de melhor para o clube e para o profissional. Ocorreu comigo como poderia ter sido com outro. É o processo da vida. A gente fica chateado pois a ideia era dar a volta por cima.  

Correio: Quais os planos a partir de agora? Está à procura de um novo clube?

Serginho: Estou em Beltrão ainda fazendo acertos com o clube e da mudança para Concórdia, onde resido. Não tenho planos. O futsal não tem a troca de treinadores como no futebol e vou ficar no aguardo por alguma opção. Os campeonatos estão iniciando agora, então não é normal nessa época a troca de técnicos, mas vou ficar na expectativa por convites.