Segue a polêmica: Operário Laranjeiras e Campo Mourão divergem sobre ocorrido no Laranjão

Rubrão rebate acusações do Carneiro e afirma que a culpa da confusão é do adversário. Especialista em direito esportivo aponta possíveis punições

A polêmica entre Operário Laranjeiras e Campo Mourão está longe de ter fim. 12 dias após a partida de volta das quartas de final da Série Ouro, a confusão estabelecida após o apito segue repercutindo em todo o Paraná. Na segunda-feira (25), o Campo Mourão publicou uma nota relatando uma versão dos fatos. Exibiu também imagens exclusivas. Diante disso, o Correio do Povo ouviu clubes e atletas envolvidos e traz os depoimentos ao público. 

O início da confusão

Após perder a partida de ida por 4×0, o Operário recebeu o Carneiro no dia 16 de outubro. 1,6 mil torcedores foram ao Laranjão e viram um empate de 1×1. O resultado eliminou o Rubrão. Ao fim do jogo, os jogadores Dario, do time mandante, e Caio Junior, dos visitantes, discutem e o rubro-negro chuta o adversário. 

“A única coisa que eu fiz foi provocar o Dário, pois passou os jogos me provocando. Fiquei quieto e quando nos classificamos apenas dei boas férias para ele, que deveria ouvir e ficar quieto. Me agrediu. Não teve experiência para lidar com a situação”, diz Caio Junior.

Dario contrapõe. “Ele já havia menosprezado a equipe em Campo Mourão, dizendo que eu e o Operário éramos ruins, que iria passar por cima da gente, bater e quebrar as minhas pernas. E durante todo o jogo em Laranjeiras me xingou. No fim, eu ia para o vestiário e ele veio para me agredir e xingar. Falou que não sabia onde ficava a cidade. Eu dei um chute nele e aí continuou me xingando. O Tom também a todo momento insultava.” 

Jogador no hospital

A briga ganhou proporções. Os elencos se dividiam entre apartar e atacar. A confusão se dirigiu para o canto do ginásio onde estava a torcida organizada do Operário. O portão foi empurrado e o tumulto aumentou. Nas imagens divulgadas pelo Campo Mourão, um homem de vermelho, que durante o jogo ficou atrás do gol, se envolve e acerta um soco num atleta do Carneiro. 

De acordo com o Operário, ele é funcionário público da prefeitura de Laranjeiras e foi escalado para trabalhar no evento como auxiliar de serviços gerais. “Ele entrou na quadra para apartar e usou de força excessiva com o Caio Júnior. Quem agrediu o Fabinho foi um torcedor, que já identificamos”, defende o Rubro-Negro.

Entretanto, Caio nega que tenha sofrido a agressão do funcionário, o qual teria acertado Fabinho, que de fato precisou ser hospitalizado por causa do ferimento. 

O Rubrão afirma que a prefeitura de Laranjeiras do Sul deve aplicar medidas administrativas ao funcionário, enquanto o outro torcedor “será punido”. 

Dificuldade para sair do ginásio

O Campo Mourão também divulgou um vídeo em que aponta dificuldades para deixar o ginásio. Na nota, o clube cita que precisou de 50 minutos e da ajuda do policiamento para sair do Laranjão. O Operário rebate. “A equipe de segurança solicita que eles saiam pela porta de trás do ginásio e o ônibus já estava ali. Eles se recusam e querem ir pelo meio da torcida. Só que os torcedores já tinham ido embora. Restam 40 pessoas, muitas mulheres, que gritam com eles, por conta dos gestos obscenos que fizeram. Nas imagens de câmeras internas, isso  dura oito minutos e eles alegam 50.”

Campo Mourão: “faltou segurança”

De acordo com a nota do Carneiro, os torcedores do Operário Laranjeiras invadiram a quadra com o intuito de agredir os membros da delegação visitante. Os mourãoenses argumentam que o Operário não teve um sistema “amplo e competente” de segurança privada.

A fala também é rebatida pelo Rubrão. “Alguns torcedores empurram o portão, não invadem a quadra, pois os atletas vão em direção à torcida organizada. As equipes de segurança e do Operário pediram para que o Campo Mourão entrasse no vestiário. Eles não quiseram. Queriam uma tragédia, que não ocorreu. Estão se utilizando de todos os meios para fomentar o ódio e a violência. Evidente que houve provocações, uma delas foi a falta de sensibilidade de tato do autor do gol deles ir comemorar em frente ao nosso banco de reservas. Se argumentarem que viraram para a torcida deles, estão errados, pois não está liberado a presença de visitantes nos ginásios.” 

Operário se defende

O Operário Laranjeiras aponta os atletas Caio Júnior e Cabreúva como os causadores do tumulto. “Se encerra a partida. O Operário aceita a desclassificação. Na irresponsabilidade, o Caio Júnior vai atrás do Dario e faz ofensas morais a ele. Neste momento começa a confusão. O Cabreúva tira a camisa, começa a vibrar como se tivesse chamando a torcida para entrar. Irresponsabilidade tamanha.”

O clube relata ofensas morais à instituição e à cidade. “Cabreúva dizia que não sabia onde ficava Laranjeiras, que o Operário não devia estar na Série Ouro. A gente tem prova. A confusão só aconteceu porque Caio Júnior, Cabreúva e demais integrantes provocaram ela. Tínhamos toda a segurança para o evento, mas eles insistiram e em nenhum momento procuraram cumprir os protocolos de segurança. Eles queriam confusão. A mentira do Campo Mourão não pode ser contada várias vezes e se tornar verdade. Vamos apresentar nossas provas no Tribunal.” 

O Correio procurou o Campo Mourão para que se pronunciasse quanto às acusações do Operário, mas até a publicação não se manifestou. Assim que o fizer, será feita uma nova postagem. 

Trâmite no TJD

O Correio ouviu o especialista em direito esportivo e assessor jurídico da FPFS, Eduardo Vargas, que aponta as possíveis punições. De acordo com ele, a súmula e as imagens da partida estão sendo analisadas pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR), órgão do qual ele e a FPFS não fazem parte, e que para haver alguma sentença é necessária a protocolização de uma denúncia em até 60 dias após o jogo, que pode ser feita pelo Campo Mourão ou pelo próprio órgão. 

Possíveis punições

Segundo Eduardo Vargas, o atleta Dario pode ser suspenso entre quatro e 12 partidas. A punição ao Operário pode ser de multa de R$ 100 a R$ 100 mil, bem como de um a 10 mandos de quadra e até a interdição do Ginásio Laranjão. Eduardo Vargas entende que a situação de 16 de outubro enquadra-se nos artigos 211 e 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. 

O artigo 211 prevê pena de R$ 100 a R$ 100 mil para o clube que “deixar de manter o local que tenha indicado para realização do evento com infraestrutura necessária a assegurar plena garantia e segurança para sua realização.”

Já o 213 penaliza com o mesmo percentual de multa, mas também com a perda de um a 10 mandos de quadra por “deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir: I – desordens em sua praça de desporto; II – invasão do campo ou local da disputa do evento desportivo; III – lançamento de objetos no campo ou local da disputa do evento desportivo.”

Entretanto, neste artigo, o clube pode se eximir da responsabilidade caso identifique os autores dos atos. Após a denúncia, o Tribunal tem de 60 a 90 dias para julgar.

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