Com filas enormes, aumento de fluxo e apenas dois carteiros, Correios confirmam greve

“Não é nossa intenção parar os atendimentos, nós queremos que a população possa ser atendida com qualidade e condições dignas de trabalho”, diz Alesxander Soares

Por Thamiris Costa

A drástica situação em que a agência dos Correios de Laranjeiras do Sul passa devido à redução do quadro efetivo de funcionários, somado ao aumento do fluxo de postagens (de 44 a 55%), gerou um acúmulo de cartas que, segundo o delegado sindical da unidade, já amontoaram mais de 20 mil.

Buscando solucionar o transtorno na agência, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Comunicações Postais; Telegráficas e Similares do Paraná (SINTCOM-PR) realizou uma reunião para apurar as medidas e, não encontrando outra opção, realizarão uma paralisação por tempo indeterminado, prevista para começar na quinta-feira (05).

Relembre a situação

Ainda na quarta-feira (28), com a exposição do caso através de veículos de imprensa, o sindicato aguardava respostas por parte da Superintendência Estadual dos Correios do Paraná, que divulgou uma nota lamentando os transtornos ocorridos e afirmando que o atendimento está limitado em razão da pandemia e outras questões administrativas.

Para o secretário de Formação e Estudos Socioeconômicos do SINTCOM-PR, Alexsander Soares Menezes, os apoios que os Correios estão recebendo de outras cidades não são suficientes para atender a população de forma adequada, de modo que solucione os problemas na unidade. “Essas medidas são paliativas e culminam em ainda maiores transtornos para as agências das regiões entorno, gerando ainda mais filas e atrasos”, explica.

A população, prejudicada pelo encalhamento das encomendas, hostiliza e culpabiliza os funcionários, que já são afetados pela falta de recursos humanos e materiais que os possibilitem realizar com qualidade seus trabalhos. “Infelizmente, não há perspectiva de que essa situação se resolva”, continua Alexsander, “essa política de sucateamento é proposital e busca causar na população a sensação de que a estatal é ineficiente, para assim embasar a privatização”.

Objetivos da paralisação

Diante dessa realidade, o SINTCOM-PR não vê outra alternativa senão uma paralisação por tempo indeterminado até que a Superintendência dos Correios encontre uma solução que atenda a população e também que ofereça aos trabalhadores condições mínimas de prestação de serviço.

“A paralisação foi agendada para o dia 05 de agosto justamente para que a empresa possa se organizar para ajudar a evitar essa interrupção dos serviços. Não é nossa intenção parar os atendimentos, nós queremos condições dignas de trabalho. Buscamos agir com toda responsabilidade e esperamos que a Superintendência também aja”, concluiu o secretário.