Dia de Combate ao Trabalho Infantil reforça alerta sobre violações
Presidente do Conselho Tutelar explica como reconhecer situações e alerta para os prejuízos que podem acompanhar a criança
Celebrado em 12 de junho, o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil chama a atenção para uma realidade que ainda afeta milhões de crianças e adolescentes. A data busca conscientizar a sociedade sobre os prejuízos causados pela inserção precoce no trabalho e reforçar a necessidade de garantir direitos fundamentais como educação, lazer, convivência familiar e desenvolvimento saudável.
Dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o Brasil registrou 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024. O número representa 4,3% da população nessa faixa etária. Mais da metade dos casos está concentrada entre adolescentes de 16 e 17 anos, e 560 mil estavam inseridos em atividades classificadas entre as piores formas de trabalho infantil.
Diante da data, o Jornal Correio do Povo do Paraná conversou com exclusividade com a presidente do Conselho Tutelar de Laranjeiras, Simone Nessa que falou sobre a realidade enfrentada no município, os principais sinais de alerta e os impactos que o trabalho infantil pode causar ao longo da vida.
Realidade ainda presente
Segundo Simone, apesar dos avanços na conscientização da população, o trabalho infantil ainda é uma realidade presente no município e em toda a região.
“Infelizmente, o trabalho infantil ainda existe em nosso município. Muitas vezes ele acontece de forma silenciosa e acaba sendo visto por algumas pessoas como algo normal. Existe aquele pensamento de que é melhor estar trabalhando do que estar na rua, mas precisamos entender que quando uma criança ou adolescente assume responsabilidades que não correspondem à sua idade, estamos diante de uma violação de direitos”, afirmou.
A presidente destaca que a infância deve ser preservada para que crianças e adolescentes possam frequentar a escola, conviver com a família, brincar e se desenvolver adequadamente.
Sinais que exigem atenção
Entre os principais indícios de trabalho infantil, Simone cita o afastamento gradual das atividades escolares, o cansaço excessivo e a realização de tarefas incompatíveis com a idade. “É importante observar quando uma criança está trabalhando em vez de estudar. Quando ela começa a demonstrar cansaço excessivo, apresentar faltas frequentes na escola ou realizar atividades inadequadas para sua idade”, explicou.
Ela ressalta que muitas situações ocorrem fora de ambientes empresariais, tornando a identificação mais difícil. “Na maioria das vezes não são empresas. É aquela criança vendendo bombom, cocada ou outros produtos nas ruas. Muitas vezes as pessoas compram por dó, mas precisamos entender que essa criança está exposta a riscos. Sua saúde, sua educação e seu desenvolvimento estão sendo comprometidos.”
Para Simone, a denúncia tem papel fundamental na proteção dos direitos das crianças e adolescentes. “Quando a comunidade denuncia, ela não está prejudicando a família. Ela está ajudando a proteger uma criança e contribuindo para que ela tenha um futuro melhor.”
Consequências para toda a vida
Os impactos do trabalho infantil podem ser percebidos em diferentes áreas da vida e acompanhar a criança até a fase adulta. “Os prejuízos podem ser físicos, com acidentes e doenças, mas também emocionais, causando ansiedade e insegurança. Na educação, vemos dificuldades de aprendizagem, faltas recorrentes e até abandono escolar”, destacou.
Segundo ela, além das consequências imediatas, o trabalho precoce pode retirar oportunidades importantes de desenvolvimento. “Muitas vezes essas crianças perdem oportunidades que jamais poderão ser recuperadas da mesma forma. Toda criança merece viver plenamente sua infância, ter sonhos, receber afeto e ter seu espaço de crescimento respeitado.”
Responsabilidade de todos
No Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, Simone reforça que a proteção da infância deve ser um compromisso compartilhado entre famílias, poder público e sociedade. “Toda criança carrega dentro de si sonhos, talentos e um futuro que precisa ser protegido. Nenhuma criança deve trocar a sala de aula pelo trabalho, os brinquedos por responsabilidades de adulto ou seus sonhos pela necessidade”, afirmou.
Ela também faz um apelo para que a população olhe para as crianças com mais sensibilidade e atenção. “Quando protegemos uma criança, estamos cuidando do futuro de todos nós. Precisamos compreender nossa responsabilidade enquanto adultos e entender que o trabalho infantil não é o lugar de uma criança. O lugar dela é estudando, brincando, crescendo com dignidade e construindo seus sonhos,” concluiu.



