Ginecologista e obstetra Rafaela Mezzomo aborda métodos contraceptivos

“Cada paciente é única e seu caso deve ser individualizado, não havendo então um método mais recomendado e sim o que melhor se adapta aquela pessoa”, destaca a doutora Rafaela Mezzomo

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Ipsos, atualmente, 58% das mulheres brasileiras optam pela pílula como método contraceptivo de escolha. Em seguida, a camisinha é a segunda opção, escolhida por 38% das mulheres. A escolha dos métodos contraceptivos pode variar conforme orientações médicas, custos e até preferências individuais.

O Correio do Povo conversou com a ginecologista e obstetra doutora Rafaela Mezzomo, sobre o uso de métodos contraceptivos, em especial o anticoncepcional.

Diversas opções

De acordo com a doutora, atualmente quando se fala em métodos contraceptivos para prevenção da gravidez, as opções são diversas. “Temos disponível a camisinha, masculina e feminina, métodos hormonais injetáveis mensais e trimestrais, pílulas hormonais de uso diário, adesivo, anel vaginal, implante subdérmico, dispositivos intrauterinos de longa duração, hormonal e não hormonal, pílula do dia seguinte, além da laqueadura e vasectomia”, destaca ela.

Rafaela menciona que a recomendação é baseada nas queixas da paciente junto ao seu quadro clínico e o que o método irá lhe proporcionar. “Cada paciente é única e seu caso deve ser individualizado, não havendo então um método mais recomendado e sim o que melhor se adapta aquela paciente”.

Anticoncepcionais

A ginecologista explica que os anticoncepcionais hormonais atuam basicamente por meio da inibição da ovulação. “Eles também provocam alterações nas características do endométrio e do muco cervical impedindo assim a gravidez”, acrescenta.

Rafaela ressalta que os efeitos colaterais mais comuns são o sangramento de escape entre os períodos, náusea, sensibilidade mamária, dores de cabeça e enxaqueca, mudanças de humor e baixa de libido.

Ao falar sobre o uso continuou do anticoncepcional, a doutora afirma que depende do quadro clínico e do acompanhamento do paciente junto ao médico. “Por exemplo, pacientes com hipertensão não tratada, tabagistas, histórico de doença cardíaca, enxaqueca com aura, câncer de mama ou endométrio, devem questionar seu médico sobre métodos alternativos de contracepção”, aponta.

Rafaela diz que o métodos de longa duração vem ganhando preferência a cada dia pela sua praticidade e maior eficácia. “Principalmente em relação a pílula que deve ser tomada diariamente sem que haja esquecimentos pois isto compromete seu efeito desejado”.

Segundo a doutora, apenas a camisinha, além de evitar a gravidez indesejada, protege contra as doenças sexualmente transmissíveis. “O ideal seria realizar o uso em todas as relações”, finaliza.

Métodos Hormonais

Pílula: comum entre as mulheres, este método inibe a ovulação por meio da ingestão diária de hormônios. Pode ser usada não apenas para prevenir a gravidez, mas também para tratar outras questões de saúde como a síndrome do ovário policístico ou o mioma uterino. Alguns tipos podem aumentar o risco de complicações, como a trombose.

Adesivo: age de forma parecida com a pílula ao liberar na pele hormônios que impedem a ovulação. É trocado semanalmente durante três semanas consecutivas, e depois precisa de uma pausa de sete dias.  

Anel: tem a mesma premissa da pílula, porém o método é realizado por meio da inserção de um anel vaginal, que permanece na região por três semanas e precisa ser retirado por sete dias, para que ocorra a reaplicação.

Injeção: pode ser aplicada a cada um ou três meses e funciona de forma semelhante a pílula. 

DIU: conhecido também como mirena (DIU hormonal), este método consiste na inserção de uma pequena haste no útero. Por meio dela, são liberadas substâncias que impedem a fecundação, e, consequentemente, a gravidez. Dura em média cinco anos e o procedimento pode ser feito via Sistema Único de Saúde (SUS).

Implante subdérmico: também impede a ovulação, mas por meio de uma pequena haste (semelhante a um palito de fósforo) implantada normalmente no antebraço. Dura até três anos. 

Métodos não-hormonais

DIU de cobre: este método consiste na inserção de uma pequena haste de polietileno com cobre, em formato de T, no útero. Este haste diminui ou barra a mobilidade do espermatozoide e impede a gravidez. Dura em média dez anos.

DIU de prata: igual ao funcionamento do DIU de cobre, porém tem a prata adicionada à sua composição, o que pode diminuir cólicas menstruais. Dura em média cinco anos. 

Camisinha: esse método é o mais tradicional de contracepção, caracterizado por um revestimento de látex, poliuretano ou silicone.