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Mesmo com proibição cigarros eletrônicos são encontrados com facilidade em Laranjeiras e região

“Todos os meus amigos fumam. Em qualquer festa que você vai, terá gente fumando vapes ou pods descartáveis. Mas se engana quem acha que são só jovens, tem muitos adultos que usam eles”, relata uma fonte anônima

Apesar da proibição no Brasil, o uso de cigarros eletrônicos, também conhecidos como ‘vapes’, tem apresentado um aumento significativo nos últimos anos.

Em 2009 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu os dispositivos eletrônicos por considerarem os mesmos tão prejudiciais quanto cigarros convencionais e conforme a Anvisa, o uso de ‘vapes’ pode levar ao vício de forma mais rápida do que o cigarro tradicional.

De acordo com um levantamento realizado em maio pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), cerca de 2,2 milhões de adultos, o que corresponde a 1,4% da população, relataram ter utilizado dispositivos eletrônicos para fumar. Esse valor representa um aumento significativo visto que em 2018, primeiro ano em que a pesquisa foi conduzida, a taxa era de 0,3%, com menos de 500 mil consumidores.

Sobre o dispositivo

Os cigarros eletrônicos são dispositivos alimentados por bateria de lítio e possuem um cartucho ou refil que armazena o líquido. Esses dispositivos possuem um atomizador que aquece e vaporiza a nicotina, e hoje em dia variam de tamanhos, formas e preços.

A temperatura de vaporização da resistência nos cigarros eletrônicos é de aproximadamente 350°C, em contraste com os 850°C encontrados nos cigarros convencionais

Os cigarros eletrônicos estão atualmente em sua quarta geração, que apresenta uma maior concentração de substâncias tóxicas. Além disso, existem também os cigarros de tabaco aquecido, que são dispositivos eletrônicos projetados para aquecer um bastão ou uma cápsula de tabaco comprimido a uma temperatura de cerca de 330°C, produzindo um aerossol inalável.

Acesso na região

Em Laranjeiras do Sul e região, os dispositivos são facilmente encontrados em tabacarias e distribuidoras, com preços variando entre R$ 50 a R$ 150, além das vendas de essências e demais acessórios/peças a parte. A maioria dos comércios vendem vapes, pods, cigarros eletrônicos, entre outros artefatos.

Conforme investigado pelo Correio do Povo, a demanda por cigarros eletrônicos na cidade é alta. Segundo um morador de Laranjeiras, que preferiu não se identificar, o uso dos dispositivos na cidade é evidente. “Todos os meus amigos fumam vapes. Em qualquer festa que você vai, terá gente fumando vapes ou pods descartáveis. Mas se engana quem acha que são só jovens, tem muitos adultos e até idosos que usam eles”, relata.

Ainda conforme a fonte anônima, alguns de seus amigos começaram a fumar os dispositivos como forma de sanar o uso de cigarro convencionais. “Tenho conhecidos que realmente pararam de fumar cigarros normais com o uso do vape. Agora se um faz mais mal que o outro não sei dizer. Mas posso confirmar que eles transmitiram o vício de uma coisa para outra”.

Segundo a chefe da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Andrea Reis, os dispositivos fazem tão mal quanto os cigarros convencionais e não possuem eficácia comprovada para a cessação do tabagismo.

Também já foi constatado que o uso de cigarros eletrônicos aumenta a chance de iniciação do uso do cigarro convencional entre aqueles que nunca fumaram.

Riscos para a saúde

Apesar da alegação de que vaporizadores ou produtos de tabaco aquecidos não contenham substâncias prejudiciais, como monóxido de carbono, alcatrão e outros compostos provenientes da degradação e combustão do tabaco, eles não são inofensivos para o organismo humano.

Pelo contrário, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estudos apontam que os produtos podem ter níveis de toxicidade tão prejudiciais quanto os encontrados no cigarro tradicional. Cigarros eletrônicos combinam substâncias tóxicas com outras que muitas vezes apenas disfarçam os efeitos danosos. O ministério da Saúde alerta para a presença de metais pesados, como chumbo, ferro e níquel nos dispositivos.

Outra ameaça associada especificamente aos dispositivos é a ocorrência de uma lesão pulmonar chamada Evali e de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), os sintomas respiratórios incluem tosse, dor torácica e falta de ar. Também são comuns sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia, além de sintomas inespecíficos, como febre, calafrios e perda de peso.

Além da nicotina, alguns dispositivos podem conter mais de 2 mil substâncias químicas tão nocivas à saúde quanto o cigarro de papel.