No Dia do Combate ao Feminicídio, CRAS e CREAS fazem ação do Sinal Vermelho

O intuito é conscientizar a população de Laranjeiras sobre a necessidade de auxiliar mulheres vítimas de violência doméstica a denunciarem

Nos últimos anos o Brasil tem conquistado leis importantes no que diz respeito ao combate à violência contra a mulher e obteve reconhecimento internacional por isso, mas as raízes de um passado excessivamente patriarcal ainda permeiam a cultura da sociedade, mostrando que a igualdade de gênero ainda é um desafio na qual as leis, por si só, não são capazes de sanar. 

Sendo um problema mundial, estima-se que cerca de 70% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante sua vida. E, no Brasil, os dados são alarmantes: “somos o quinto país que mais registra casos de violência contra a mulher”, diz Francieli Marques, assistente social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Laranjeiras do Sul. Essa posição no ranking pode ser ainda melhor compreendida quando adicionamos o fato de que a cada cinco minutos uma mulher é agredida. “Isso contando apenas os casos denunciados, já que muitas mulheres se escondem de vergonha, dor ou medo do agressor, que em 70% dos casos, é o próprio parceiro.”, detalha a assistente. 

Contamos com uma média de cinco mil mulheres mortas por ano, treze por dia, na qual o crime é cometido por parceiros ou ex-parceiros; e mais da metade deles ocorrem dentro de casa. Em Laranjeiras do Sul, por exemplo, inúmeras mulheres passam por situações de violência, que podem ser psicológicas, sexuais, físicas, patrimoniais ou morais.

#NancyPresente e o Sinal Vermelho

Neste dia 22 de julho, o Dia do Combate ao Feminicídio no Estado, o CREAS fez uma mobilização em frente ao semáforo da rua 15 de novembro as 9 horas, levantando a hashtag #NancyPresente, caso de feminicídio ocorrido na cidade há menos de um mês, no qual a vítima, contadora Nancy Vitroca, foi baleada pelo ex-companheiro, Eroni Silva.

Outra promoção de conscientização realizada refere-se ao Sinal Vermelho, projeto que virou lei no Paraná em junho e visa combater a violência doméstica por meio da facilitação da denúncia. “Muitas mulheres não têm condições de sair de perto do agressor para fazer a denúncia, então quem ver uma mulher com “x” na mão deve informar à Polícia através do 190”, explica Regiane.  

Na foto, da esquerda para direita: Regiane, Amanda, Francieli e Grace

“É importante ressaltar que o incentivo e apoio a denúncia é um serviço de toda sociedade. Por isso, o conhecimento dessa campanha deve ser propagado, quanto mais pessoas souberem, especialmente nos estabelecimentos comerciais, mais mulheres terão meios para pedir ajuda”, diz Francieli. 

O papel do CREAS

O CREAS do município trabalha na linha de frente no combate à violência contra mulher, lidando com as consequências e acompanhando famílias e indivíduos que sofrem violação dos direitos ou que estão vivendo situação de violência. “O nosso trabalho reconhece a necessidade de combater as causas sociais desse tipo de criminalidade, causas estas atreladas a questões culturais”, explica Francieli.  

Atualmente, o grupo acompanha 23 mulheres, que estão sendo atendidas por telefone, com visitas presenciais esporadicamente. “Dessas mulheres, 14 ainda vivem com seus agressores, conta Regiane Castro, secretária da Assistência Social.

As justificativas e os silêncios que acompanham a vida dessas vítimas provém de muitos fatores que as condicionam a não procurar ajuda, como a dependência financeira, o medo, a descrença nas leis e no sistema de justiça, a crença na mudança do agressor e outros. No país, por exemplo, apenas 18% das mulheres registram boletim de ocorrência, segundo aponta a pesquisa Raio X do Feminicídio, realizada pelo Núcleo de Gênero do Mistério Público.

Nesse sentido, “o papel do CREAS é justamente atuar na conscientização dessas mulheres e da sociedade em geral. Mostrando que, para mudar a realidade é preciso informar, acolher e acreditar, porque a proteção da mulher é a principal saída para lidar com essa doença que assola o país: o feminicídio de mulheres e meninas”, conclui Francieli.