Restrições no atendimento e queda nas vendas gera demissões em setor do comércio

É indiscutível a crise que atinge boa parte dos setores do comércio brasileiro. Em razão da pandemia, as empresas deixaram

É indiscutível a crise que atinge boa parte dos setores do comércio brasileiro. Em razão da pandemia, as empresas deixaram de faturar, seja pela baixa procura dos produtos ou serviços ou pelo período em que passam fechadas, por conta do lookdown. O Correio do Povo do Paraná foi às ruas de Laranjeiras do Sul e ouviu donos de estabelecimentos como bares, restaurantes e pizzarias.
Estas últimas, por exemplo, enfrentam uma situação das mais espinhosas. Esses estabelecimentos atendem tradicionalmente à noite, mas estão com seus horários limitados – quando não passam dias de portas fechadas. É a forma encontrada pelas autoridades municipais e estaduais de Saúde para frear a pandemia.

Aumento de matéria-prima, caem as vendas, aumentam as demissões

Marlos Korobinski, proprietário da Per Tutti, por exemplo, reduziu em 56% o quadro de funcionários desde o início da pandemia. Em março de 2020, ele contava com 16 colaboradores. Hoje, são sete. Ainda assim, para que isso fosse possível, os funcionários estão trabalhando em regime de rodízio.
“O salário do pessoal baixou, mas pelo menos não foram demitidos. Nós tivemos 50% de queda nas vendas e estamos fazendo promoções para tentar atingir mais consumidores. O problema é que o valor dos ingredientes aumentou, alguns em até 300%”.

Drama parecido vive Licério Dalci Micolino, o ‘Gaúcho’, da Apetitt Pizzaria. Há 10 anos com o estabelecimento, ele diz à reportagem que a lanchonete é uma realização de um projeto de vida, que pode ter fim em breve, caso não haja uma reviravolta no quadro da pandemia ou nas restrições.
“Quando começou, ficamos praticamente um mês fechado. Depois, abrimos com restrição de horários. Tivemos um auxílio no ano passado para não nos demitirmos e conseguimos manter até o fim de dezembro o quadro de funcionários”.
Há um ano, a Apetitt tinha 14 funcionários. Hoje são seis. O delivery, visto como uma “válvula de escape” para a situação, parece não surtir efeito.
“As entregas não pagam minhas despesas. O meu forte é o presencial e com restrição de horários não há condições. Se não mudar, teremos que fechar as portas. Estamos trabalhando no limite. As mercadorias aumentam todo o dia e não aumentamos os preços nos últimos cinco meses. A lucratividade baixou, na tentativa de manter a clientela”.
Na Lanchonete Laranjão, Vilson Bortoluzzi já demitiu dois funcionários. Agora são oito. “Se continuar assim, vou demitir mais. O delivery não compensa”, argumenta.

Osmar Savaris tem a Pop Lanches há 10 anos. O local serve lanches e almoços durante a semana e carne assada aos domingos. “Não posso mais ficar fechado. Eu já demiti uma funcionária, pago aluguel, água e luz. Se ficar fechado num dia, falta dinheiro lá na frente”, explica.

Dono de Bar: entre a cruz e a espada

Claudecir Gonçalves é dono da Lanchonete Pastelão. O local, administrado junto da esposa e dos filhos, funciona durante o dia, servindo lanches e bebidas. A Pastelão foi atingida em cheio pela pandemia, já que nos últimos meses, boa parte do público debandou.

“Vejo duas situações. Primeiro, precisamos preservar a saúde, então fechar é a coisa correta. Mas se você precisa trabalhar para sustentar a família, fica complicado. Não trabalho com delivery, faço horário comercial, mas fiquei 10 dias fechados nessas últimas semanas. Toda a minha renda sai daqui. Estamos trabalhando no vermelho, mesmo abrindo. Você não consegue atingir a clientela. Já é preciso restringir o número de pessoas e muitos não vêm mais aqui, já que são idosos. Estamos desesperados, sem saída”, lamenta.

A solução segundo os comerciantes

Os comerciantes entrevistados pelo Correio foram unânimes nas críticas, direcionadas, principalmente, aos mercados.  “Eu vejo os nossos estabelecimentos, que funcionam à noite, contribuindo, mas não vejo isso com os outros comércios, como os supermercados, por exemplo. As autoridades estão certas em fazer restrições, mas esse rigor deveria se estender para outros estabelecimentos também”, diz Vilson Bortoluzzi.

O Gaúcho da Apettit: “Se não mudar, teremos que fechar as portas”
Crédito: Juliam Nazaré

A solução seundo os comerciantes

Os comerciantes entrevistados pelo Correio foram unânimes nas críticas, direcionadas, principalmente, aos mercados.  “Eu vejo os nossos estabelecimentos, que funcionam à noite, contribuindo, mas não vejo isso com os outros comércios, como os supermercados, por exemplo. As autoridades estão certas em fazer restrições, mas esse rigor deveria se estender para outros estabelecimentos também”, diz Vilson Bortoluzzi.

“Devem punir os estabelecimentos que se aglomeram, mas não podemos pagar uma conta que não é nossa. Estamos no fundo do poço. Deixem a gente trabalhar para que possamos manter esses poucos empregos que restam”, pede o Gaúcho, da Apetitt.

“Não sei a solução para o corona, mas sou contra o lookdown. Se você deixar o povo com mais tempo para ir ao comércio, haverá menos aglomeração”, crava Marlos Korobinski.

“A solução é liberar o povo, mas conscientizar. Não adianta eu fechar e os mercados ficarem abertos. Prejudicam dois ou três e o restante fica trabalhando. Isso não vai solucionar a pandemia”, acredita Osmar Savaris.