Três histórias mostram as alegrias e as dificuldades do trabalho diário

Profissionais do campo, construção e empresa expõem desafios e responsabilidades enfrentados no dia a dia

Celebrado na última sexta-feira, 1º de maio, o Dia do Trabalhador remete a uma trajetória histórica marcada por reivindicações por direitos, jornadas mais justas e reconhecimento social. A data, consolidada ao longo de décadas, permanece como um marco de reflexão sobre as condições de trabalho e os desafios enfrentados por diferentes categorias profissionais.

Em um cenário de transformações econômicas e mudanças nas relações de emprego, o significado da data se atualiza na experiência cotidiana de quem trabalha. Para retratar essa realidade, o Jornal Correio do Povo do Paraná ouviu, com exclusividade, um produtor de leite, um pedreiro e um empresário, três perspectivas que revelam a complexidade do trabalho no dia a dia.

Campo: rotina contínua

No meio rural, a rotina não segue calendários. Produtor de leite, Reginaldo Portela descreve uma atividade ininterrupta, marcada por disciplina e resistência. “Não tem feriado, não tem final de semana. É um trabalho todos os dias, enfrentando chuva, geada e as dificuldades que aparecem”, afirma. Segundo ele, além das condições climáticas, o custo de produção tem sido o principal desafio da atividade. “O leite é um dos únicos produtos que a gente vende sem saber quanto vai receber. Só depois de cerca de 40 dias é que vem o pagamento”, relata.

Portela também chama atenção para o longo processo até que o produto chegue ao consumidor. “Para produzir um litro de leite, o trabalho começa lá atrás, com a criação da novilha. São anos cuidando, alimentando, tratando, até que o animal comece a produzir. É um ciclo longo e com custo alto”, explica.

Apesar das dificuldades, ele destaca o vínculo com a atividade. “É uma lida difícil, mas é o que a gente gosta de fazer. Levantar cedo, cuidar dos animais, produzir um alimento essencial, isso traz satisfação”, conclui.

Construção civil: esforço físico e escassez de mão de obra

Na construção civil, o trabalho é definido pelo esforço físico e pela experiência acumulada. Com cerca de 25 anos na profissão, o pedreiro Cleber Venson descreve uma rotina exigente. “É um trabalho cansativo, de manhã à tarde, mas foi a profissão que escolhi”, explica.

Segundo ele, a atividade segue valorizada quando há qualificação, mas enfrenta um problema crescente: a falta de novos trabalhadores. “Os pedreiros mais antigos estão parando, e muitos jovens não querem aprender, mesmo sendo uma profissão que pode oferecer boa renda,” afirma.

A escassez de mão de obra impacta diretamente o setor. “Às vezes, a gente deixa de pegar serviços maiores por falta de ajudante”, relata.

Para Venson, o trabalho tem um significado direto no cotidiano familiar. “Representa dignidade. Apesar de ser um trabalho pesado, é o que garante uma boa vida e faz com que não falte nada em casa”, conclui.

Empresa: tradição, adaptação e responsabilidade coletiva

No setor empresarial, o trabalho se traduz na gestão de pessoas, processos e mudanças constantes. À frente da Auto Braz, empresa fundada em 1964, o gestor Fabiano Franciosi destaca a trajetória construída a partir de um pequeno negócio familiar. “A empresa nasceu do esforço e dos sonhos dos fundadores, que foram investindo no crescimento e na especialização ao longo dos anos”, afirma.

Segundo ele, manter a atividade exige adaptação contínua. “O setor automotivo é muito dinâmico. Nosso desafio permanente é acompanhar as novas tecnologias e tendências, mantendo a qualidade dos serviços.”

Franciosi ressalta que o funcionamento da empresa depende da atuação conjunta dos colaboradores. “Todos são importantes, como engrenagens de um mecanismo. Se um não fizer sua parte, isso impacta no resultado de todos.”

A gestão, segundo ele, envolve equilibrar interesses e garantir condições adequadas de trabalho. “É fundamental que cada profissional tenha um ambiente saudável e se sinta parte do resultado que a empresa entrega.”

Trabalho em transformação

As três experiências revelam realidades distintas, mas conectadas por desafios comuns: custos elevados, necessidade de adaptação, escassez de mão de obra e responsabilidade sobre a renda familiar ou coletiva.

Do campo à cidade, o trabalho permanece como elemento central na organização da vida social e econômica. Mais de um século após sua origem, o 1º de Maio segue atual ao refletir não apenas conquistas históricas, mas também as condições concretas enfrentadas diariamente por trabalhadores em diferentes setores.