Baratos, sim, mas funcionam?

Representando 27,3% da venda de medicamentos no Brasil, os genéricos ainda são tabu para alguns consumidores. No primeiro trimestre deste ano, as vendas deste tipo de medicamento cresceram 15,5%, enquanto que os tradicionais cresceram 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 657,8 milhões de caixas de remédio em nível nacional, destes, 176,5 milhões são genéricos. Em dinheiro, estas vendas somam R$ 2,4 bilhões.
Já são 14 anos de venda de genéricos que, a muito custo, vem combatendo a ideia de que são menos efetivos do que os tradicionais. O medicamento genérico nada mais é do que uma versão barata do original, contendo o mesmo fármaco, na mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela mesma via e com a mesma indicação terapêutica. O que o torna barato é o fato de que os fabricantes não precisam investir em pesquisa para o seu desenvolvimento nem em propaganda.
O proprietário da farmácia do Marquinho, Marcos Aurélio Psibilski, afirmou que cerca de 60% das vendas são de genéricos. As pessoas costumam pedir muito, mas ainda há quem desconfie. Para quem toma medicamentos de uso contínuo, a diferença chega a 40% do valor, disse.
Marquinho acrescentou que tanto o custo-benefício quanto a qualidade fazem dos genéricos uma boa opção.
Ele explicou, ainda, que os remédios similares são aqueles que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos, apresenta mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, e que é equivalente ao medicamento registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária. Porém, são versões alternativas dos de referência e não chegam a ser genéricos, são um meio termo.

Ainda há 
desconfiança
O farmacêutico e sócio proprietário da farmácia Santa Terezinha da XV, Clair Miguel Bortoluzzi, explicou que a partir da criação do genérico, os preços abusivos dos medicamentos de referência reduziram bastante. O genérico veio para ficar, acrescentou.
Segundo Clair, o último relatório de vendas mostra participação de 10% dos genéricos. Isto mostra que os consumidores ainda estão um pouco acuados em relação a este tipo de medicamento.
Um exemplo é Orcília Dora Correa Camilo, de 67 anos, que disse que nunca optou pelos genéricos, pois a medicação usada pelo esposo se mostrou pouco efetiva na versão genérica. Eu prefiro medicamentos naturais, só tenho em casa um Dorflex para quando preciso mas não é genérico, disse.