Beijar o bebê pode fazer mal. Até os 2 anos evite os beijos “lambidos”

Bonnie Green tinha apenas seis meses de idade quando um beijo da mãe, Hellen, transmitiu o vírus da herpes à menina. Por ainda não ter o sistema imunológico completamente formado, que acontece a partir dos dois anos, Bonnie desenvolveu a doença de forma mais grave que nos adultos e em crianças maiores. Em vez de ter lesões apenas nos lábios, a herpes comumente atinge toda a boca das crianças e, no caso da menina australiana, a doença acometeu a região do ouvido.

Mesmo medicada, Bonnie teve uma encefalite viral, que culminou em uma hemiplegia, tipo de paralisia cerebral que atinge um dos lados do corpo. As sequelas exigirão que a menina passe por uma reabilitação, mas os pais estão confiantes, conforme entrevista dada ao programa de tevê australiano Today Tonight. Nós acreditamos que Bonnie terá uma grande recuperação, se não total. Você simplesmente tem que acreditar, disse o pai da menina, Russell.

Embora metade da população adulta tenha o vírus herpes (tipo 1, simples) alojado no organismo, a transmissão para outras pessoas só acontece quando o vírus apresenta lesões ativas – ou quando ele sai dos nervos onde fica escondido e passa a circular pelo corpo, formando os machucados característicos nos lábios dos adultos. Mas, pouco antes de as lesões ‘estourarem‘, a transmissão pode acontecer e existe uma forma de identificar se a pessoa está transmitindo a herpes ou não.

Quando o lábio está amortecido e você sente que vai estourar as feridas, pode ocorrer a transmissão via saliva. As pessoas que estão nesta fase de contágio do herpes devem evitar beijar as crianças, mesmo na bochecha, porque podem desenvolver também aquelas estomatites, explica Tony Tannous Tahan, médico infectologista, presidente do departamento científico de infectopediatria da Sociedade Paranaense de Pediatria e professor da UFPR.

Esta pode ter sido a forma como a vírus passou de Hellen à filha, que afirmou não ter percebido que estava com a doença nesta forma de transmissão. Eu sou a mãe dela, eu só queria protegê-la. O beijo de uma mãe deveria curar, não estragar, disse a mãe à televisão australiana.

Crianças em risco

Até os seis meses de idade os bebês ainda não conseguem produzir rapidamente as próprias células de defesa e utilizam os anticorpos da mãe. O leite materno colabora, dando células de defesa extras. Depois dos seis meses, a criança passa a produzir mais células, mas é também o período em que entra em contato com mais doenças e as desenvolve. Apenas com dois anos que o sistema imunológico está maduro o suficiente para se defender sozinho.

Do nascimento até os dois anos tem que ter muita higiene no contato com o bebê. Evitar beijar no rosto ou beijar bem delicadamente. A herpes pode não fazer uma lesão importante no adulto, mas na criança menor não afeta só os lábios, pega a boca inteira e às vezes invade até o corpo, alerta o médico infectologista.

Recomendações

– Se for beijar a criança, que seja delicado;

– Se vir alguém dando um beijo lambido no bebê, limpe depois;

– Sempre avise os parentes e visitas para ter bom senso;

– Se tiver sintomas de gripe ou qualquer outra doença transmitida por contato (saliva, sangue ou mucosa), evite se expor à criança. Mantenha distância até que os sintomas desapareçam;

A melhor forma de carinho é querer saber da criança, não se aproximar muito. Mesmo que seja só uma gripe, para a criança até dois anos de idade, a doença pode ser muito mais agressiva, explica Tahan.

 

 

 

Fonte: Gazeta do Povo