Campanha por Maria Júlia foi um sucesso

Centenas de laranjeirenses demonstraram solidariedade ontem (quinta-feira, 18) na campanha de coleta de sangue com o objetivo de cadastrar pessoas e suas tipagens sanguíneas para possíveis doações de medula óssea. A campanha foi realizada na tentativa de ajudar a pequena Maria Júlia, guarapuavana de 10 anos, a encontrar um possível doador, já que teve um linfoma diagnosticado em agosto de 2010.
O pai, Marcos Gelinski e madrasta, Francelise Ferrari, estão engajados nessa missão desde o ano passado. Campanhas como a de ontem já foram feitas em Guarapuava, Pitanga e Prudentópolis.
Conforme a assistente social do Hemocentro e coordenadora da campanha, Maria Alice Reginato, a iniciativa é uma parceria do Núcleo de Hematologia e Hemoterapia de Guarapuava, o Laboratório de Imunogenética e Histocompatibilidade (LIGH) da Universidade Federal do Paraná e da secretaria de Saúde de Laranjeiras do Sul.
O procedimento pra quem deseja ser doador é simples. Basta preencher um formulário com seus dados pessoais e coletar uma amostra de cinco ml de sangue. Os dados, junto com o sangue, serão enviados ao LIGH em Curitiba, onde serão analisados.
O resultado sai em aproximadamente sete dias e é encaminhado ao Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome) no Rio de Janeiro. Uma vez no Redome, os dados são cruzados com os do Registro de Receptores de Medula Óssea (Rereme). Esse procedimento serve para analisar uma possível compatibilidade entre algum doador e um paciente, não só no Brasil, mas no mundo todo.
Somente no período da manhã foram coletadas 250 amostras sanguíneas, e até o final da noite eram esperadas aproximadamente 650 coletas totais. De acordo com Maria Alice, o que falta para campanhas melhor sucedidas é o apoio dos meios de comunicação em massa. Quando uma campanha como essa é divulgada, as pessoas comparecem. Podemos notar que quase todos abraçam causas como essa, o que falta mesmo é divulgação, conclui.

COMPATIBILIDADE
Para as pessoas que tenham compatibilidade de doação com algum paciente, lhe será pedida outra amostra sanguínea para confirmação. Depois o doador passará por internação hospitalar (geralmente por apenas um dia). Então serão feitas punções (de quatro a oito) pela região glútea, sob anestesia geral, tirando não mais que 10% da medula óssea total do doador, que será completamente restituída em poucas semanas. A mesma pessoa pode doar medula óssea ilimitadas vezes, desde que esteja em bom estado de saúde.

SALVANDO VIDAS
O professor de Serviço Social da FAI e educador no Cense, Wilian Przybysz, é doador de sangue há aproximadamente oito anos e participou pela segunda vez de uma amostragem para ajudar pessoas que necessitam um transplante de medula. De acordo com ele, sentir-se bem consigo mesmo é o que faz valer a pena o esforço. Um doador pode salvar uma vida, mudar a realidade de uma pessoa, acrescenta.
O pai da pequena Maria Júlia agradece a toda a população que participou com a doação de sangue e colaborou de qualquer outra forma. É simples, não dói nada. São apenas cinco ml que podem salvar vidas, não só a da minha filha, mas talvez de alguém que seja ainda mais próximo a você, acrescenta Marcos.
Toda a população local se mobilizou e quem não foi doar seu sangue no dia de ontem pode procurar o Hemocentro de Guarapuava para fazê-lo no endereço: Rua Afonso Botelho, 134 – Trianon, telefone: (42) 3622 2819.