Depois do 0x0, os olhares se voltam para o jogo de volta

A
torcida argentina compareceu em peso ao estádio Mário Alberto
Kempes para prestigiar o duelo contra o Brasil pela simbólica Copa
Roca. Mesmo com jogadores que atuam somente nos dois países a
expectativa era de um grande jogo, mas a esperança de um espetáculo
foi superada pelo desentrosamento e timidez dos dois times. O
ingresso da partida valeu o dinheiro apenas no segundo tempo, quando Leandro
Damião protagonizou um lance espetacular, arrancando aplausos até
mesmo, quem diria, dos próprios argentinos.

Dentro
de campo as duas seleções fizeram um primeiro tempo longe dos
sonhos do torcedor, com muitos erros de passes e pouca inspiração
na criação de jogadas. Ambas equipes foram reféns da falta de
entrosamento e até da própria autoestima. Em alguns lances, era
perceptível a falta de confiança de alguns jogadores. Mesmo assim
foram os donos da casa que tomaram a iniciativa. Apesar de
ineficiente, a seleção de Alejandro Sabella era mais efetiva e
presente no campo de ataque. O atacante do Estudiantes, Boselli foi o
principal nome da primeira etapa. Vestindo a camisa nove, ele mostrou
oportunismo e, mesmo saindo de campo aos vinte e três minutos de
jogo depois de sentir uma lesão, foi quem mais chegou perto de
marcar pelos anfitriões. Em sua primeira oportunidade, Boselli
arrematou de perna esquerda depois do cruzamento de Zapata, a bola
subiu e se perdeu pela linha de fundo. A argentina atacava
constantemente pelos lados do campo, Danilo e Kléber tiveram
dificuldades em cobrir as laterais. Em uma cobrança de falta na
esquerda, o centro avante apareceu novamente, completando com perigo
à direita da meta defendida pelo estreante goleiro Jefferson. O
Brasil respondeu com o maior artilheiro da temporada no país,
Leandro Damião acertou a trave, Neymar fez um lindo lance, fintou
dois zagueiros e cruzou, para que de canela o atacante do colorado
parasse no poste, na melhor chance de gol do primeiro tempo.

O
técnico Mano Menezes se irritava com o posicionamento de sua defesa,
e estava certo: em mais uma investida nas costas de Kléber,
Fernández colocou rasteiro na boca do gol, Boselli, bem posicionado,
arrancou suspiros da torcida. Os Hermanos começavam a gostar do
jogo. Com a apatia da meia cancha brasileira, a Argentina cresceu e
teve seu melhor momento na primeira metade, depois de uma sequência
de lances, Martinez arriscou de fora assustando Jefferson e
finalmente dando ao jogo cara de Brasil e Argentina. Depois disso,
Boselli deixou a partida lesionado, o adversário da seleção
canarinho perdeu o ímpeto e o primeiro tempo terminou sem gols.

Apesar
de pouco futebol apresentado, as duas equipes voltaram com os mesmos
jogadores que foram para o intervalo. De início, a Argentina manteve
o controle do confronto, mas sem criar chances. O time de Alejandro
Sabella ainda perdeu mais um jogador, Martinez saiu aos treze minutos
com dores na virilha. O Brasil fez sua primeira troca logo depois.
Oscar entrou na vaga de Renato Abreu e, apesar de se enrolar sozinho
com a bola duas vezes, deu mais opções na armação, até então
sobrecarregada com R10. O jogo seguiu muito morno para o peso do
clássico, nem mesmo a rivalidade exposta pelo excesso comum de
cartões deu as caras, Zapata foi o único punido com amarelo em toda
a partida.

Diante
da desorganização e equívocos dos dois times a torcida já perdia
a paciência. Foi aí que apareceu Leandro Damião, aos vinte e sete
minutos enfim um lance digno da grandeza do embate, pra cima de Sebá
o camisa nove da seleção aplicou um drible emblemático na entrada
da grande área. Carretilha, chapéu, chaleira, lambreta, as opções
para nomear o lance são muitas, mas somente quem assistiu o
confronto sabe o que quer dizer, na conclusão da jogada ele mostrou
ainda mais ousadia, tentou encobrir Orion. A bola caprichosamente
tocou a trave. Mesmo sem balançar as redes, Damião fez valer o
ingresso e botou um tempero na partida, mesmo sendo ela, na
maior parte dos noventa minutos, sem sal.

No
fim, os anfitriões chegaram com Pablo Mouche, de fora da área o
atacante bateu colocada, boa intervenção de Jefferson, que fez
atuação segura na meta brasileira. Ronaldinho Gaúcho ainda obrigou
o arqueiro argentino a praticar boa defesa. De falta, o capitão
colocou por cima da barreira, Orion mandou para escanteio. Não havia
mais tempo, apesar de um lance histórico de Damião e alguns
momentos de brilho das duas seleções, faltou o gol, fim de jogo em
Córdoba e placar zerado.

As
atenções voltam para o jogo de volta, a ser disputado em Belém no
dia vinte e oito de setembro, o torcedor espera que a emoção e o
bom futebol voltem a aparecer na capital do Pará.