Editorial

Editorial - Carnaval é coisa séria

Em primeiro lugar precisamos esclarecer uma coisa muito importante: o ser humano sempre gostou de festejar a vida, agradecendo pela vida e pelas coisas boas que recebia.

Já entre os gregos, nos tempos antigos, existia uma festa muita parecida com o carnaval. Eram as festas dionisíacas, ou seja, festas feitas em honra ao deus pagão dionísio, que era deus do vinho.

Nestas festas as pessoas se divertiam e chegavam ao exagero da embriaguez! Mas ninguém se culpava por isso, pois este era o espírito desta festa.

Há quem diga que o Carnaval de hoje em dia tem suas raízes nestas festas antigas. Assim, a Igreja Católica, quando nasceu, já encontrou entre os homens estes tipos de comemorações.

Obviamente os cristãos diziam não aos exageros, tanto de bebidas, quanto de algazarras e libertinagem sexual. Para o cristão a verdadeira festa era a celebração da Vida de Jesus, e não momentos passageiros de euforia.

A palavra carnaval parece ter origem cristã e significa adeus carne, ou seja, a festa do Carnaval acontecia sempre antes do inicio da Quaresma, momento onde era proibido comer carne.

Assim, antes de começar o jejum, as pessoas aproveitavam para saciar a vontade seus apetites. Daí por que falamos que a terça-feira de carnaval é a terça-feira gorda!

Hoje em dia os cristãos certamente brincam carnaval! Existem até os chamados carnaval com Jesus pelas comunidades do Brasil. O que a Igreja ensina, exorta e pede com insistência: cuidado com os exageros!

Tudo o que é demais prejudica. Ninguém deve ser proibido de pular carnaval, mas quando existe excessos de bebidas, drogas, libertinagem sexual existem o perigo e a imprudência que podem transformar a alegria em tragédia.

Toda a alegria é bem-vinda, embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas, os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.

Concordamos com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acreditamos que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade.

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar. Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho.