Mega operação reintegra posse em Rio Bonito

Uma mega operação comandada pelo comandante do 16º BPM Major Daniel dos
Santos reuniu 12 unidades da PM entre batalhões, Polícia Florestal,
bombeiros e Polícia de Choque, num efetivo de 320 homens.

A área localizada dentro do assentamento Ireno Alves em Rio Bonito do
Iguaçu havia sido ocupada por 55 famílias integrantes do movimento dos
Sem-Terra, que reivindicavam sua efetivação em uma área já demarcada pelo
Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), onde estão
assentadas nove famílias já com o termo de posse.

A reintegração ocorreu em um clima de tranqüilidade embora as famílias
estivessem indignadas com a ação do Incra, uma vez que já estavam na área
há mais de cinco anos. Segundo o Major Daniel dos Santos, a Polícia
Militar
apenas acompanha o oficial de Justiça no ato da ação de reintegração de
posse. As famílias serão encaminhadas para uma área de acampamento em
Candói. Com uma estrutura de oito caminhões para o transporte dos
pertences
mais dois ônibus para os transporte do pessoal calcula-se que a PM levará
de dois a três dias para desocupar a área.

Para um dos líderes do movimento Ademar dos Santos, é lamentável que o
Incra tenha tomado essa atitude, uma vez que sua função primordial é a
reforma agrária e nesta situação está tirando pessoas que já estão
estabelecidas na área, a maioria com casas construídas e toda uma
infra-estrutura de produção. Vamos reunir as famílias envolvidas e
buscar
uma solução menos traumática para as pessoas envolvidas.

A idéia é buscar uma área aqui mesmo em Rio Bonito, não há motivos para
levarmos essas famílias para um acampamento que não oferece nem uma
expectativa de futuro, lamenta Ademar.
Emocionada, dona Melita Miller Silvano, lamentou o descaso do Incra com
as
famílias que ao longo desses anos construíram suas casas e se
estabeleceram
na área. Não tenho como me conformar, são cinco anos de muito sofrimento
todos os dias de sol a sol para se construir um sonho que de uma hora
para
outra você vê derrubado. Olho pra frente não não vejo futuro nenhum pra
mim, filhos e netos, disse chorando.

Venda de lotes em assentamento é ilegal

Na semana passada, a superintendência do Incra no Paraná divulgou nota
informando que arrendar, permutar, comprar ou vender lotes da reforma
agrária é ilegal. Pela lei, depois da criação do projeto de assentamento,
os assentados recebem um documento que se chama contrato concessão de
uso
que é uma autorização para usar a área por, no mínimo, cinco anos. Mas a
propriedade do imóvel continua sendo do Incra.