Qual sua avaliação sobre a situação atual do
município?
Creio que estejamos andando por um rumo bom, Rio
Bonito é diferente de todos os municípios do Brasil, pois temos o maior
assentamento da América Latina e o maior acampamento do Brasil. Há muita gente
boa e uma liderança extraordinária. É um povo que eu defendo. Se tem gente
ruim, a justiça deve punir, mas se tem muita coisa que eles estão pleiteando é
justamente pela justiça da reforma agrária, a qual acompanho desde os anos 80 e
que só aconteceu graças a esses movimentos.
Tem muita gente que diz que apoia os assentamentos,
não por causa do povo, mas pensando nos votos que pode conquistar lá dentro. Eu
nunca tive medo ou me restringi de dar a cara a tapa e brigar pelos
assentamentos, pois fui eleito para defender o povo, assim como qualquer
político. Hoje está estabilizado, pela forma que estamos conduzindo e o apoio e
parceria com outros órgãos. Estamos em primeiro do estado na educação, graças à
equipe que levou a sério. Se olharmos para saúde, temos uma população bem maior
do que está no IBGE, e temos que atender todos iguais, independente se é
assentado ou acampado.
Qual o balanço que faz de seu mandato a frente Rio
Bonito do Iguaçu?
Não pudemos fazer um trabalho melhor, porque o
município, como o país, está passando por uma situação difícil. Esse foi o
mandato mais difícil financeiramente, para a grande maioria dos municípios. Nós
perdemos muito, de 2013 para cá, com a queda do FPM de 1.0 para 0.8. Mas
corremos atrás de recuperar a receita, uma forma é com o ICMS ecológico, uma
guerra que tivemos e que trará e em média R$ 300 mil a mais por mês para o
município. Com certeza o próximo prefeito terá um orçamento invejável para os
demais municípios, com melhora significativa. Deixo o município preparado para
o próximo prefeito fazer um bom mandato.
Qual sua visão sobre o atual cenário político
nacional?
A justiça está tendo muito mais liberdade de ação do
que tinha no passado, isso foi bom, é democrático, se não chegasse nesse
patamar, nunca teríamos um país verdadeiramente justo. Tem que ser punidos os
errados. O Brasil caminha por um rumo muito bom, acho que nossos filhos e netos
terão um país bem melhor e mais igualitário. A justiça hoje está fazendo o
papel dela, então o bom político tem que fazer o dele. O cenário político
nacional atinge a todos, quem está mal falado é o político. Tudo que acontece
de bom ou de ruim está envolvido com a política.
Como isso tudo afeta a imagem do político de forma
geral?
Não podemos generalizar, pois existem os bons
políticos, aqueles que estão de verdade lutando pela população. Tem que
analisar muito bem as pessoas que se envolvem no cenário político, esses
maquiavélicos antigos, que estavam no cenário até poucos mandatos passados,
sabemos que eles não tem mais chance, o povo acordou. Hoje existe democracia.
No entanto, muita gente diz que não se envolve com a política, mas a meu ver
está cometendo um grande equívoco, pois as pessoas sérias e descentes deveriam
sim se envolver na política. Temos que tentar colocar sangue novo, pessoas
sérias e verdadeiramente comprometidas com a sua região.
Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas?
O começo do meu mandato foi muito pesado, primeiro
pela falta de experiência, depois pela perda de familiares importantes para mim
(mãe e irmão), bem no momento de ‘ajeitar’ a casa, o que me desestabilizou
emocionalmente. Agradeço aos amigos e equipe pelo apoio. No primeiro ano o
município quase não teve desenvolvimento. Tivemos uma crise financeira muito
grande e foram dois anos para acertar a casa, somente no terceiro pôde
deslanchar um pouquinho, concretizando algumas coisas. Agora que estamos
conseguindo concluir. Mas gostaríamos de ter feito muito mais do que isso, e
teríamos feito se as condições fossem outras.
Já anunciou que não pretende se candidatar à
reeleição. O que motivou isso?
É uma decisão pessoal, não vou abandonar o grupo, mas
acho que temos tantos nomes bons e minha obrigação é apoiar. Vamos ser
parceiros. Não é dizer que estou desgostoso, pois venho de uma família política
e aprendi a ser político. Um prefeito é eleito para mudança, mas não tive a
oportunidade de fazer o que o povo esperava. A pessoa que preza e zela de sua
família e comunidade merece respeito, o povo me elegeu olhando na honestidade e
transparência que preguei sempre, não pude fazer o que gostaria, mas
infelizmente foram as circunstâncias que não contribuíram. Com mais recursos o trabalho
fica muito mais fácil.
O que faria diferente, se tivesse oportunidade?
Muitas coisas. Eu não tinha conhecimento político a
nível federal e estadual, tinha dificuldade em chegar no governo, no senado e
congresso. Atualmente, tenho parceria com pessoas sérias e descentes, as portas
estão abertas, hoje seria muito diferente. A gente fica triste quando as coisas
não acontecem por divergência política, não tenho problema de chegar em um
deputado que foi meu adversário, principalmente se teve votos no município,
para cobrar ajuda, pois devem obrigação para a população.



