As mulheres continuam absoluta minoria na política. Dos 254 candidatos a
vereadores na Comarca de Laranjeiras do Sul, apenas 18% são mulheres.
O município que mais tem mulheres candidatas é Rio Bonito do Iguaçu, onde
elas representam 27% do número total de candidatos.
Já em Laranjeiras do Sul, com maior número de candidatos a vereadores, 74,
apenas 14 mulheres arriscaram a tentativa.
A cidade que menos tem mulheres na política é Porto Barreiro, onde apenas
três candidatos disputam com 34 homens uma vaga no Legislativo. Em
Marquinho são quatro candidatas e em Nova Laranjeiras seis.
Quando o assunto é candidatas ao Legislativo os números são ainda menores.
Os 20 municípios da região têm apenas duas concorrentes: Joelma Ozana
Cantagalo e Lenita Mierzva de Virmond.
Para Sirlene Svartz, ex-vereadora, de Laranjeiras do Sul, há falta de
incentivo. Acredito que isso também vem da cultura do nosso país. Mas está
mudando, falou. O espaço existe, está aberto e a cada dia esse movimento
feminino está crescendo. Tenho certeza que em um futuro bem próximo teremos
mais mulheres candidatas a todos os cargos políticos’, acrescentou.
Conforme o vereador Deoclécio De Nez falta envolvimento de forma geral na
sociedade. Por conseqüência as mulheres ficam sem representatividade,
comentou. Conforme ele, apesar da cota de 30% nunca ser atingida, em época
de campanha eleitoral o número de mulheres envolvidas na política é grande,
comparado ao restante dos meses. Depois do período eleitoral há uma queda
ainda maior, disse.
Esse números, que refletem a realidade de todo o país, deram origem à
campanha Mais mulher no poder – eu assumo esse compromisso, lançada na
última quarta-feira (27) pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
(CNDM).
O objetivo é debater a importância da presença feminina nos espaços de
poder e decisão e incentivar todas as candidaturas ao comprometimento com
plataformas eleitorais voltadas para a igualdade entre homens e
mulheres.
De acordo com a União Interparlamentar, organização internacional que
congrega os parlamentos dos países, o Brasil ocupa o 142º lugar em relação
à presença de mulheres nos parlamentos, num ranking de 188 nações.
Levantamento realizado com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), demonstra que nenhum partido cumpriu a cota mínima de 30% de
mulheres no total de candidaturas para as Câmaras municipais, prevista pela
Lei nº 9504/97, no atual processo eleitoral.
Com início nas eleições 2008, a campanha “Mais Mulheres no Poder. Eu
assumo esse compromisso!” pretende ser permanente e incidir nos espaços de
poder e decisão da iniciativa privada, dos poderes públicos e em áreas
estratégicas da sociedade através de ações que promovam a participação
igualitária, plural e multirracial das mulheres, como determina o II Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres. No dia 4 de setembro será ativado o
site da campanha: www.maismulheresnopoder.com.br
Campanha no rádio
Três spots de rádio destacam a importância das mulheres na política, no
processo eleitoral e para a democracia no Brasil. Nas vozes de Maria da
Penha (símbolo da luta pelo enfrentamento à violência contra a mulher),
Clara Charf (membro do CNDM pelo notório saber em questões de gênero) e
Jacira Melo (filósofa feminista e integrante do Instituto Patrícia Galvão),
as mensagens reforçam que homens e mulheres podem mudar a realidade de
baixa representatividade feminina nos cargos eletivos através da eleição de
mais mulheres ou de candidaturas comprometidas com a igualdade .



