Polícia Civil abre inquérito para investigar educadoras suspeitas de agredir crianças em creche no Paraná

A Polícia Civil abriu nesta quarta-feira (1º) um inquérito para investigar duas educadoras suspeitas de agredir crianças em uma creche de Rondon, no noroeste do Paraná. Câmeras foram instaladas na unidade após recebimento de denúncia e mostram crianças sendo puxadas pelo braço e pelo cabelo, conforme o Conselho Tutelar. A Secretaria de Educação informou que as servidoras já foram afastadas das funções.
Segundo Sueli de Souza de Oliveira, secretária municipal de Educação, conta que assim que a denúncia sobre o caso foi recebida, na semana passada, foram instaladas câmeras na unidade para apurar o fato.
Imediatamente, nós decidimos então por monitorar, para ter certeza dos fatos. E, nas gravações que nós fizemos, nós constatamos que realmente havia agressões físicas e psicológicas contra as crianças, declarou a secretária.
A conselheira tutelar em Rondon, Eliana Cristina Leme Volpato, diz que as imagens gravadas na creche caracterizam a violência.

A agressão física se caracterizava quando a professora pegava uma criança com violência de um determinado lugar e colocava no outro, com muita força. Puxava a criança pelo braço, pelo cabelo. Houve um momento também que ela atirou um calçado em uma criança, como não acertou, ela atirou novamente. Parecia que o alvo era a cabeça da criança, descreveu.

De acordo com a prefeitura, um boletim de ocorrência por maus-tratos foi registrado na Polícia Militar na segunda-feira (30). Como Rondon não tem Polícia Civil, o caso foi encaminhado para a Delegacia de Cidade Gaúcha, que é a responsável pelas investigações na cidade.
Além disso, foi aberto um processo administrativo para apurar a conduta das duas servidoras, que estão em estágio probatório. Dependendo do resultado da apuração, a secretária de Educação informou que o procedimento pode levar à demissão das educadoras.
Elas trabalham há um ano e meio no município e as providências que foram tomadas… a primeira providência foi o afastamento das educadoras e, depois, nós fizemos então o boletim de ocorrência para ser instalado um processo administrativo, explicou Oliveira.

Os pais foram avisados sobre o caso durante uma reunião com a diretoria do Centro de Educação Infantil.
Um pai de aluno, que preferiu não ser identificado, disse à equipe da RPC Noroeste que notou mudanças no comportamento do filho.
A gente achava que era por causa do nascimento da nossa filha, que tem duas semanas agora. Só que depois dessa reunião a gente foi ver que todos os filhos tão a mesma… acontecendo a mesma coisa do meu filho. Estão nervosos, estão revoltados, agressivos, contou.
O filho dele estuda na creche com outras 19 crianças, que têm entre e dois e três anos. Segundo a prefeitura a maioria delas foi agredida dentro de sala de aula.

É revoltante mesmo… tem horas que não dá vontade nem de levar eles na escolinha, porque vai saber o que que pode acontecer, entendeu?, lamenta o pai do aluno.

De acordo com o Conselho Tutelar, as crianças e as famílias vão receber acompanhamento psicológico.
Nós vamos encaminhar as crianças e as famílias para acompanhamento com Creas [Centros de Referência Especializados da Assistência Social] e para avaliação e atendimento psicológico individualizado, detalhou Volpato.