Policiais ambientais que participaram dos confrontos com o MST são ouvidos pela PF

A Polícia Federal ouviu hoje (4) os dois agentes da Polícia Ambiental que participaram do confronto com integrantes do Movimento Rural de Trabalhadores Sem Terra (MST) em Quedas do Iguaçu, no dia 7 de abril.

O delegado federal Emerson Rodrigues, responsável pelo caso, disse em entrevista ao G1 que o inquérito segue em segredo e que por isso não poderá antecipar o conteúdo dos depoimentos e nem se outras pessoas já foram ouvidas. O caso também vem sendo investigado pelas polícias Militar e Civil e pelo Ministério Público do Paraná.

No enfrentamento, dois trabalhadores sem-terra foram mortos e ao menos seis ficaram feridos. Em entrevista no dia 26 de abril, o delegado da Polícia Civil, Adriano Chohfi, disse que pediu á justiça a exumação dos corpos das vítimas. O pedido já foi deferido, porém a data ainda não foi marcada. Além disso, no dia 11 deverá ser realizada a reconstituição do episódio que no sábado (7) completa um mês.

A PF investiga o caso por determinação do ministro da Justiça, Eugênio Aragão. O prazo para a conclusão do inquérito termina na próxima semana. O delegado antecipou que deve pedir prorrogação por mais 30 dias.

O inquérito a cargo da Polícia Civil foi encaminhado incompleto no dia 15 de abril ao Ministério Público (MP), que o devolveu e solicitou mais informações à delegada Ana Karine Palodetto. Na época, a responsável pelo caso declarou que, pela falta de depoimentos de alguns sem-terra que foram intimados e não compareceram à delegacia,não foi possível definir de quem partiu o proimeiro tiro.  

As versões apresentadas até agora são bastante divergentes. Enquanto um dos sem-terra feridos e detidos no mesmo dia do confronto diz que a polícia foi a primeira a atirar,outro afirma ter partido dos próprios sem-terra o primeiro disparo.. Esta é a mesma versão defendida pelo advogado do MST, Claudemir Torrente Lima, o qual acrescenta inclusive que os cacampados foram atingidos pelas costas.

O confronto ocorreu na Linha Fazendinha, próxima ao acampamento Dom Tomás Balduíno, quando policiais ambientais foram acionados para atender um suposto princípio de incêndio na área.

Projetos de assentamento na região vêm sendo preparadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O objetivo é assentar cerca de 80 famílias de sem-terra. O local, vizinho ao assentamento Celso Furtado, compreende as fazendas Três Elos I, II e III e Campo Novo, cujos títulos foram anulados pela Justiça Federal. As decisões ainda estão sendo questionadas judicialmente.

 

Fonte: G1