A situação dos agricultores expulsos de suas
propriedades da comunidade Boa Vista Passo Liso, em Laranjeiras do Sul,
permanece igual duas semanas depois. A princípio teria se decidido que as 13
famílias retiradas a força da área não retornariam mais, passando a ser
integralmente dos indígenas.
Porém, com várias reuniões e pedidos a autoridades do
Estado, os moradores buscaram por ajuda e intercessão da Polícia Federal, no
entanto, a tentativa requer espera. Segundo a advogada da causa, defensora dos
agricultores, Maressa Pavlak Melati, o que falta apenas é uma ação concreta da
PF.
Dizem ter pouco efetivo e necessitam de informações
estratégicas do local, fornecidas pela Funai e Polícia Militar, por isso, a
ordem é aguardar. Até lá não podemos fazer mais nada, explica. Contudo Maressa
destaca que os próprios moradores estão tomando providências para conseguir
transporte para a retirada dos indígenas, uma vez que a PF alegou não possuir
também.
Eles estão em casas de parentes e amigos e soubemos
que a prefeitura irá auxiliá-los da melhor forma que puderem. Estamos buscando
uma nova audiência para tentar agilizar o processo, completou.
Conflitos
A advogada Grislane Civa Piovesan, que já morou no
Passo Liso, comentou que algumas famílias voltaram no local para pegar,
definitivamente, as sobras de suas coisas. Outros nem teriam mais o que trazer.
Se viram como podem. Eu tive uma certa convivência com
a maioria deles e é muito triste ver tudo isso, é um sentimento de injustiça.
Constroem sua vida para outros tirarem, desabafa. Ela relata ainda que os
nativos tiveram uma área demarcada para eles, mas que não quiseram ir para lá.
Era muito longe, não tinha sinal telefônico nem de
Internet. Então vieram para as propriedades, onde fica mais cômodo, próximo ao
asfalto e com todas as instalações necessárias, comentou Grislane.
Segundo informações, a tensão iniciou em setembro,
quando os indígenas sinalizaram a possibilidade de invasão. Havia uma
reintegração de posse a ser cumprida sobre uma propriedade em que estavam,
então começaram a entrar no terreno de Demétrio Fiauka, onde houve o primeiro
conflito. É possível que tenham se aproveitado da situação para tomar as demais
propriedades.



