Vacinação de cães e gatos contra raiva é suspensa preventivamente em todo o país

O Ministério da Saúde decidiu, nesta
quinta-feira (7), suspender preventivamente as campanhas de vacinação de
cães e
gatos contra raiva animal em todo o país. A decisão foi tomada após
resultados
preliminares de investigação laboratorial informados pelo Ministério
da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O Ministério da Saúde
recebeu a
análise parcial nesta quarta-feira (6).
 
A investigação laboratorial,
realizada com cobaias, indicou a ocorrência de efeitos graves e mortes
depois da
vacinação que, até então, não eram previstos na literatura científica
disponível.

Com base nesses resultados, como medida cautelar, o
MAPA recomenda a
interrupção temporária do uso da vacina, até que a investigação
laboratorial
seja concluída. Entre os efeitos que não eram previstos e que foram
observados
estão hemorragia, dificuldade de locomoção, hipersensibilidade de contato
e
intensa prostração. Vale ressaltar que os resultados laboratorias
preliminares
indicam alterações ocorridas apenas nas amostras colhidas nos estados.
Essas
alterações não haviam ocorrido nos testes ini ciais feitos pelo MAPA para
a
liberação da vacina, nem na contraprova de amostras mantidas em
estoque. 

De acordo com o diretor de Vigilância
Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, as informações sobre

ocorrência de mortes e casos graves disponíveis até a última quarta-feira
não
eram suficientes para suspender a vacinação. Segundo Hage, embora os dados

laboratoriais parciais ainda não sejam suficientes para afirmar a real
causa das
mortes, elas estão associadas temporalmente à vacina, pois os sintomas nos

animais começaram em até 72 horas após a aplicação, além de ter ocorrido
aumento
de notificações por parte dos estados, nesta semana.
 
Até então, tínhamos relatos de
mortes e casos graves nos estados, mas sem evidências de estudos
controlados em
laboratório. Agora que temos essas informações, mesmo que preliminares,
decidimos suspender a vacinação preventivamente, até que os estudos sejam

concluídos, explica Eduardo Hage.
 
A vacina que está sendo analisada é a
RAI-PET®, produzida pelo laboratório Biovet, que desde 2003 tem registro
no MAPA
– responsável pela realização de testes de qualidade nas vacinas
utilizadas em
animais. Para a campanha de vacinação antirrábica em cães e gatos de 2010,
o
Ministério da Saúde comprou 30,9 milhões de doses da vacina, por R$ 23,4
milhões.
 
Do total de doses, já foram
distribuídas 22,6 milhões aos estados. Atualmente, o Ministério da Saúde
tem 7,3
milhões de doses da vacina em estoque. Com a recomendação de suspender a
campanha, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde devem manter as
vacinas
acondicionadas em ambiente refrigerado, entre 2 e 8 graus centígrados, até
a
conclusão dos estudos em andamento.
 

NÚMEROS NACIONAISDesde julho, a vacinação já foi

iniciada em 22 estados e no Distrito Federal. Foram vacinados 7,9 milhões
de
animais. A meta é vacinar 28,5 milhões de cães e gatos.
 
De 12 de agosto a 6 de outubro, as
Secretarias Estaduais de Saúde notificaram ao Ministério 1.401 eventos
graves
envolvendo animais, dos quais 217 mortes, ocorridas no Distrito Federal,
Espírito Santo, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão,
Minas
Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins. Nesses
11 estados e no DF, foram imunizados, até 6 de
outubro, 5,8 milhões de cães e gatos.
 
O monitoramento dos eventos adversos
graves vem sendo realizado pelo Ministério da Saúde, em parceria com
estados e
municípios, desde a notificação das primeiras ocorrências, no Rio de
Janeiro e
em São Paulo. De
acordo com a literatura científica, são consideradas reações graves, após
a
vacinação de animais, somente a anafilaxia (reação sistêmica à vacina) e a

morte. Outras reações são consideradas normais, como dor e pequeno inchaço
no
local da aplicação (consideradas leves); e letargia, febre e sonolência
(moderadas).
 
A vacina utilizada até
o ano passado, a Fuenzalida & Palacios, assegurava proteção durante
seis a
sete meses. Por isso, nas áreas de maior risco (regiões Norte e Nordeste),
eram
realizadas duas campanhas anuais. A vacina RAI-PET assegura proteção
durante um
ano, o que levaria à realização de apenas uma campanha anual. 

SOBRE A
RAIVA
A raiva é uma doença
viral transmitida ao homem quando um animal infectado o morde, lambe ou
arranha.
Os principais transmissores são os cães, gatos, saguis e morcegos. Como
não é
possível imunizar animais que vivem na natureza, a campanha de vacinação
de cães
e gatos é a principal forma de prevenir os casos da doença em humanos, que
tem
letalidade altíssima, próxima de 100%. Somente três casos no mundo
conseguiram
sobreviver – um deles foi um rapaz do interior de Pernambuco, em
2008.
 
Em 2010 foram
notificados dois casos de raiva humana no Brasil – um no Rio Rio Grande do

Norte, por ataque de morcego, e outro no Ceará, por ataque de cão. Os dois

pacientes morreram.
De 1990 a 2009, o número de casos de
raiva humana, considerando todas as espécies agressoras, caiu
drasticamente – de
73 para 1. A partir de 2005, a intensificação das ações de vigilância
permitiu
uma redução ainda mais acentuada.

O QUE
FAZER
– Ao identificar que
cães e gatos estão com suspeita de raiva, os donos devem isolar os animais
e
chamar ajuda especializada, que pode ser a de técnicos do centro de
controle de
zoonoses local ou a de um veterinário da secretária municipal de saúde
para que
as providências adequadas sejam adotadas. Se a pessoa for agredida por
qualquer
animal, deve-se lavar imediatamente a ferida com água e sabão e procurar
um
profissional de saúde para obter orientações sobre indicação de profilaxia

antirrábica (vacina e/ou soro).

Quando a agressão
for por cães ou gatos, os animais deverão ser confinados por dez dias após
a
agressão, para observação de sintomas da doença e, se o animal morrer,
deve-se
informar o departamento de zoonoses do município imediatamente.

Caso
seja detectada a presença de morcegos na região, deve ser realizada a
notificação aos órgãos da saúde e agricultura local para adoção de medidas
de
controle e prevenção, como: iluminar áreas externas nas residências,
colocar
telas nos vãos de dilatação de prédios, janelas e buracos e fechar ou
vedar
porões, pisos falsos e cômodos pouco utilizados que permitam o alojamento
de
colônias deste mamífero.