FAEP propõe fundo estadual para socorrer produtores após desastres

Entidade pede reserva permanente de recursos para reconstruir estruturas rurais e reduzir perdas causadas por eventos climáticos extremos no Paraná

A sequência de temporais, tornados e vendavais que atingiu diferentes regiões do Paraná levou o Sistema FAEP a propor a criação de um fundo estadual de catástrofe para o setor agropecuário. A entidade encaminhou um ofício ao governador Ratinho Junior nesta sexta-feira (6), pedindo uma estrutura permanente de recursos para auxiliar agricultores e pecuaristas na recuperação de propriedades.

A proposta prevê apoio para reconstruir instalações, recuperar benfeitorias e repor insumos e máquinas danificados. A intenção é garantir uma resposta mais rápida aos produtores, sem que a ajuda dependa de processos burocráticos demorados.

Prejuízos atingem dezenas de municípios

Dados da Defesa Civil apontam que, nos seis primeiros dias de novembro, foram registradas 94 ocorrências climáticas em 87 municípios paranaenses. Os eventos causaram R$ 38,4 milhões em prejuízos e afetaram mais de 30 mil pessoas.

No campo, as perdas incluem redução média de 25% na produtividade das culturas de inverno, lavouras que precisam ser replantadas e danos a estruturas e equipamentos. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que os produtores precisam de condições para retomar a atividade.

“O produtor rural trabalha a céu aberto e não tem como se proteger de um tornado ou de temporais”, declarou.

Norte e Centro-Sul relatam estragos

Em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro, o volume de chuva superou 200 milímetros em menos de 24 horas, entre os dias 4 e 5 de novembro. Houve erosão, danos em lavouras e estradas rurais, além da interdição de uma ponte entre o município e Carlópolis.

Os impactos também foram relatados em Santo Antônio da Platina e Astorga, onde vendavais destruíram barracões e danificaram plantações de soja.

Na região Centro-Sul, o presidente do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, Eliseu Fernando Telli, destacou as dificuldades enfrentadas após o tornado de novembro de 2025. Das cerca de 600 propriedades atingidas em Rio Bonito do Iguaçu e municípios vizinhos, metade estava fora do município que decretou calamidade pública.

Segundo Telli, essas propriedades não receberam medidas estaduais de apoio à reconstrução. Ele defende alternativas como financiamentos com juros menores e prazos ampliados.

Entidade alerta para novas perdas

O Sistema FAEP também aponta que os R$ 14 bilhões em saldo problemático de crédito rural no Paraná podem crescer nos próximos meses. Para Meneguette, a criação do fundo permitiria organizar o socorro e reduzir os efeitos das perdas sobre a produção e a economia estadual.