Vanderlei Volff: preciso fazer o Porto Barreiro dar certo

Prefeito traça o interior como principal desafio do mandato, revela “ajuda” de Berto Silva na eleição e expectativa não correspondida ao assumir o governo

Agricultura e política. Temas inerentes à vida de Vanderlei Volff, prefeito de Porto Barreiro há 19 dias. Desde pequeno, as atividades do campo e o poder público eram questões presentes no dia a dia da família. O pai, Daltro Wolff (falecido em 2007), foi um desbravador do “Barreirinho”, nome do distrito na época pertencente a Laranjeiras do Sul. Ele chegou à região com quatro anos e foi vereador de Laranjeiras por três mandatos. 
A “lida” com a terra foi passada de pai para filho. Tradição tanta que faz com que a família ganhe nome numa das comunidades do interior de Porto Barreiro: a  Linha Volff
Lá, Vanderlei, hoje com 55 anos e pai de três filhos, planta milho, soja, feijão e trigo. Há três, parou com a atividade leiteira, mas continua levantando cedo. Até o início o 1º de janeiro de 2021, a rotina dele resumia-se em acordar, caminhar por sua propriedade, dar de comer aos peixes e porcos. O dia arrastava-se entre os afazeres na lavoura. Nas horas vagas, aproveitava para sair pela cidade, buscando uma boa “prosa” com os amigos. Depois que assumiu a prefeitura, o cotidiano mudou, mas uma das preocupações dele enquanto chefe do Executivo está na roça: facilitar a vida dos agricultores.


Vanderlei na história 

Enquanto o pai foi um dos pioneiros da civilização porto-barreirense, Vanderlei esteve na linha de frente para a criação do município. Em 1995, estava na Assembleia Legislativa do Paraná, quando foi oficializada a independência da região em relação a Laranjeiras. Vanderlei, inclusive, cita a participação na comissão de criação como marco do início de sua trajetória política, mesmo não tendo disputado as eleições do ano seguinte. 
A estreia nas urnas ocorreu em 2000, vitorioso como candidato a vereador. No pleito seguinte, renova o mandato e entre 2005 e 2006 chega a ocupar a presidência da Câmara. 
Em 2008, decide disputar a prefeitura contra o prefeito João Costa e o ex, José Crotti. Perde.  
Mesmo atuando como adversário, ganhou do eleito João Costa a secretaria de Agricultura – que dirigiu por três anos. A segunda tentativa de chegar ao cargo ocorreu em 2016, com derrota para Marinez Crotti. 


Uma vitória relativamente larga

Para 2020, Volff confessa ter traçado estratégias. “Comecei a campanha em 2017. Fomos filiando o pessoal das comunidades no interior e fortalecendo o nosso grupo”. 
Deu certo. Tanto que Vanderlei derrotou a candidata da situação, Solange Vargas, com 295 de diferença – 10% do percentual de votos válidos. Para quem reside em Laranjeiras, Pinhão e Quedas – municípios com população superior a 30 mil – pode parecer uma diferença pequena, mas não é se tratando de Porto Barreiro. Aliás, por lá, os pleitos costumam ser acirrados. Em 2004, por exemplo, João Costa derrotou Valmir Scarpari por 31 votos. Em 2016, Vanderlei perdeu por 78


A ajuda de Berto Silva

Após vitórias nas urnas, Berto (à direita) visitou Vanderlei (à esquerda) em Porto Barreiro
Foto: Arquivo pessoal/Berto Silva

O mandatário credita dois fatores como fundamentais para a vitória de novembro: o desgaste da gestão anterior e a ajuda do prefeito laranjeirense, Berto Silva
Embora com um número pequeno de habitantes  – cerca de 3,2 mil, segundo estimativa de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – a cidade conta com muitos eleitores que moram em outras cidades, como em Laranjeiras do Sul. No dia da eleição de 2016, Vanderlei notou muitos carros do município vizinho. Após a derrota, na época, colocou entre os desafios conquistar esses votos. “Há quatro anos, se fosse com o povo do Porto, venceríamos, mas perdemos por conta dos votos de fora. Conversei com o Scarpari e com o Berto, que toparam nos ajudar e pedir votos. Deu certo. Em 2016, perdemos com 211 votos de diferença. Em 2020, ganhamos com 61”. 


Estradas e Balsa

Conhecedor das dificuldades dos moradores da zona rural, Vanderlei quer ser o prefeito que solucionará problemas, como o da Balsa de Porto Santana, que está desativada há cerca de três anos. O prefeito viaja hoje (19) a Foz do Iguaçu para conversar com uma empresa que tem interesse em administrar a embarcação, que é relevante para a população daquela região. Com ela, é possível atravessar mercadorias e veículos pelo alagado do Rio Iguaçu até Chopinzinho. “A balsa não dá lucro para o município, mas serve a população”, assegura. 
As estradas das mais de 20 comunidades rurais são outra preocupação. “Precisamos cuidar das estradas, sem desmerecer outras áreas. Nosso município é essencialmente agrícola. Se o produtor não conseguir transitar em um dia de chuva por conta das condições das vias, estaremos desmotivando-o”. Ele estabelece o início do 2º semestre para resolver a questão. 
Para alcançar os objetivos, Vanderlei conta com os conselhos de experiência do ex-prefeito João Costa. “Ele foi muito bom com o interior, onde quero muito acertar”. 


Porto: voltar a ser distrito?

Entre as preocupações de Vanderlei, está o possível “rebaixamento” de Porto Barreiro. Nos últimos anos, a possível extinção de municípios deficitários com menos de cinco mil habitantes tem ganhado discussão entre os parlamentares em Brasília. Um projeto foi arquivado. 

“Antes de 1995, a estrutura daqui era muito precária. O projeto está engavetado e a qualquer momento alguém pode colocá-lo em pauta. Para um deputado, não há tanto interesse em um município pequeno. Para ele, é mais relevante um bairro de Cascavel, que tem mais votos que Porto Barreiro. Em Brasília, não querem fiscalizar uma cidade pequena. É mais um prefeito para ir pedir verbas. Então, precisamos fazer com que Porto Barreiro ande com as próprias pernas, fazendo um trabalho enxuto. Não podemos inchar a máquina pública”.


Quebra de expectativa

Vanderlei ao lado da vice, Clacir Tosatti

Ao avaliar as primeiras semanas como prefeito, Vanderlei Volff resume-as em correria e uma pitada de decepção. “Está sendo diferente do que esperava. Achava que assumindo as coisas fluiriam. Mas ainda restam muitas coisas para serem acertadas. Quero deixar claro que não vou exceder os gastos. Temos que fazer com que o Porto Barreiro dê certo, para que não voltemos a pertencer a Laranjeiras. É importante o apoio de toda a população, pois todos têm a perder caso isso aconteça”.