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Brasil contabilizou 16 mil casos de suicídio em 2022

Setembro Amarelo: domingo (10) é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Conheça a origem da data e saiba quando buscar ajuda

Ao longo deste mês, o país e o mundo se direcionam ao setembro amarelo, período de atenção e conscientização ao suicídio. Neste domingo (10), é comemorado também o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A campanha preza a conscientização das pessoas em relação a este dilema social. Ela começou em 1994 após a trágica morte do adolescente de 17 anos, Mike Emme, nos Estados Unidos.

Origem da data

O jovem Mike era um rapaz muito habilidoso, apaixonado por carros, e havia restaurado um Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como ‘Mustang Mike’.  Familiares e amigos do rapaz não perceberam que ele possuía sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte.

No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles a mensagem “Se você precisar, peça ajuda”. A ação foi o início para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões realmente chegaram às mãos de pessoas que precisavam de apoio. Em consequência da triste história, a iniciativa foi escolhida como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo.

Índices

Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem anualmente devido ao suicídio. De acordo com a organização, as taxas mundiais têm diminuído, mas na região das Américas os números vêm crescendo.

Entre 2000 e 2019, a taxa global diminuiu 36%. No mesmo período, nas Américas, as taxas aumentaram 17%. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio aparece como a quarta causa de morte mais recorrente, atrás de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal.

Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2020, no Brasil, 13.264 pessoas cometeram suicídio. Em 2021 o número aumentou para 14.353. E em 2022 a taxa subiu para 16.262 casos, o que representa um aumento de 22,58% em comparação à 2020.

Já no Paraná, em 2020 foram 691 casos, seguidos por 720 em 2021, e 790 em 2022, um aumento de 14,33% em relação à 2020.

Estes ‘dados’ representam 16 mil famílias que perderam entes queridos no ano passado, um número que precisa ser olhado com atenção.

Sintomas e sinais

Em boa parte dos casos, o suicídio é resultado da depressão profunda. Identificar os sinais é crucial para prevenir o suicídio. Alguns incluem:

• Expressões de desespero ou falta de sentido na vida.

• Falar sobre a vontade de morrer ou desaparecer.

• Isolamento social significativo.

• Agressão, raiva inexplicável ou comportamento arriscado.

• Preparação para a morte, como dar pertences pessoais.

• Mudanças dramáticas no comportamento ou no humor.

Conforme o psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, o consumo de álcool e substâncias psicoativas durante a infância e adolescência possuem relação direta com casos de suicídio entre jovens. “O abuso de álcool e outras drogas funciona atuando no ponto desencadeador do suicídio, que é a doença mental chamada depressão, ou seja, os transtornos afetivos. Esse fator representa de 36% a 37% da população que cometeu suicídio”, enfatiza.

Como agir?

Embora a única solução para o problema deva partir direto da pessoa em situação de vulnerabilidade, algumas atitudes podem ser tomadas para prevenir o pior. Linhas como o 188 do Centro de Valorização da Vida tem ajudado diversas pessoas pelo país. Cerca de 2,5 milhões são atendidos anualmente por 2.700 voluntários. As ligações não tem custo e também podem ser realizadas pela internet através do site www.cvv.org.br via chat, e-mail ou carta.

Pessoalmente, uma escuta ativa à pessoa e um acolhimento sem julgar ou desmerecer o sofrimento alheio, podem ser de grande valia para aquele que está sofrendo.

Ações que fazem a diferença

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são serviços de saúde de caráter aberto e comunitário, voltados ao atendimento de pessoas com sofrimento psíquico ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e outras substâncias que se encontram em processos de reabilitação psicossocial.

Conforme a enfermeira coordenadora, Eva Marcanssoni Rochi, o Caps de Laranjeiras realizará algumas atividades neste setembro amarelo. “As iniciativas tem como objetivo chamar a atenção para a conscientização e promover ações a respeito do suicídio. Ao longo deste mês contaremos com duas ações: no dia 20 faremos uma entrega de flores amarelas e folders informativos na praça José Nogueira do Amaral assim como no comércio, que será desenvolvido em parceria com o Rotary. No dia 21 teremos no clube Rancho Alegre, às 13h30, uma capacitação para agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem sobre como agir em casos desta natureza”, explica.

Se você ou alguém que conheça está lutando contra a depressão profunda, é essencial buscar ajuda. Disque 188 ou busque a UBS próxima.