“Prevenção ao suicídio começa pela escuta e pelo acolhimento.”
Psicóloga Evelin Fedatto orienta sobre sinais de alerta e formas de se aproximar de quem precisa de ajuda
O dia 10 de setembro marca o ‘Dia Mundial e Nacional de Prevenção ao Suicídio’. A data busca ampliar o debate sobre saúde mental e reforçar a importância de reconhecer situações de sofrimento e oferecer apoio.
Para a psicóloga clínica Evelin Fedatto, que também atua no CAPS I de Rio Bonito do Iguaçu, a prevenção passa pela capacidade de ouvir e acolher. Segundo ela, o sofrimento pode aparecer de diferentes formas e, em alguns casos, chegar a um nível de desesperança em que a pessoa deixa de enxergar alternativas para o que está vivendo.
Mudanças de comportamento exigem atenção
Evelin explica que não existe um único comportamento capaz de indicar que uma pessoa está pensando em suicídio. O principal é observar mudanças significativas na rotina e na forma como ela se relaciona com as atividades e pessoas ao redor.
Entre os sinais que merecem atenção estão o isolamento repentino, a perda de interesse por atividades antes importantes, alterações no sono ou no apetite, desesperança, sensação de ser um peso para os outros e falas sobre não encontrar sentido ou não enxergar uma saída.
O aumento do uso de álcool ou outras drogas e mudanças bruscas de comportamento também podem indicar que algo não vai bem.
Como oferecer ajuda
Diante da preocupação com alguém, a recomendação é se aproximar sem julgamentos e demonstrar disposição para ouvir. Fedatto afirma que, quando existe suspeita de que a pessoa esteja pensando em tirar a própria vida, é possível perguntar diretamente.
Segundo ela, essa abordagem não coloca uma ideia na cabeça da pessoa. Ao contrário, pode abrir espaço para que ela fale sobre algo que vinha enfrentando sozinha.
A orientação é ouvir com calma, sem interromper ou minimizar o sofrimento. Comentários que incentivem a pessoa apenas a ‘ser forte’ ou comparem sua dor com a de outras pessoas podem aumentar a sensação de incompreensão.
“Não é necessário ter uma resposta perfeita. Demonstrar presença e ajudar a pessoa a buscar apoio já pode ser uma forma importante de cuidado”, afirma Evelin.
Em situações de risco imediato, a pessoa não deve ficar sozinha e é necessário procurar atendimento de urgência.
Onde buscar atendimento
No Brasil, pessoas em sofrimento podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um pronto-socorro. Em casos de emergência, o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192. Para quem precisa conversar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece escuta gratuita pelo telefone 188.
A psicóloga também reforça a importância do acompanhamento psicológico e, quando necessário, psiquiátrico. “Não é preciso esperar a situação chegar ao limite para pedir ajuda. Procurar apoio é uma forma de cuidado”, afirma Fedatto.
Prevenção começa antes da crise
Para Evelin, a prevenção não deve começar apenas quando uma pessoa já está em uma situação de crise. Ela envolve a criação de espaços onde seja possível falar sobre sofrimento sem medo de julgamentos. “A prevenção não começa somente quando aparece uma crise. Ela começa muito antes: quando criamos relações nas quais as pessoas podem ser vulneráveis, quando aprendemos a perguntar de verdade como alguém está, quando levamos o sofrimento emocional a sério e quando entendemos que saúde mental também precisa fazer parte do nosso cuidado cotidiano”, diz.
Para a psicóloga, uma das formas de prevenção é não esperar que alguém chegue ao limite para ser ouvido. “Nem todo sofrimento é visível. E nem toda pessoa que precisa de ajuda vai saber pedir”, conclui.



