Uso do DIU é o melhor contraceptivo para mulheres mais jovens

Além de todas as indicações, o dispositivo intrauterino causa poucos efeitos colaterais e é disponibilizado gratuitamente pelo sistema público de saúde

Adolescentes não são conhecidos por sua responsabilidade, pois nessa fase da vida, não estão preocupados com as consequências de suas atitudes, o que os torna inaptos a fazer planejamentos e pensar no futuro.

Essa faixa etária tem dificuldade de aderir a tratamentos que exijam disciplina, portanto, a pílula anticoncepcional pode não ser um bom método para mulheres mais jovens, já que é preciso tomá-la todos os dias, sempre no mesmo horário.

Imagine um método anticoncepcional cuja taxa de eficácia seja superior a 99% e que não dependa de administração diária, mas, ao contrário, seja eficaz por cerca de 10 anos. Podendo ser utilizado após o parto, durante a amamentação e por todas as mulheres em idade fértil, incluindo as mais jovens.
Além de todas as indicações, o dispositivo intrauterino (DIU), causa poucos efeitos colaterais e é disponibilizado gratuitamente pelo sistema público de saúde.

Apesar de oferecer inúmeras vantagens, o DIU é usado por apenas 2% das mulheres em idade fértil. Por quê?

Entre os motivos para que esse método seja pouco usado, está a falta de informação da população, incluindo os profissionais de saúde. Não é raro, por exemplo, escutar de médicos que adolescentes ou mulheres que nunca tiveram filhos, não devem usar o DIU, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a própria Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirmem que os benefícios do dispositivo para adolescentes superam os riscos.

Benefícios

As vantagens do uso do DIU são incomparáveis as de outros métodos anticoncepcionais. Em primeiro lugar, eles podem ser utilizados pela maioria das mulheres que não desejem engravidar. Em segundo, duram muitos anos, o que facilita a adesão de mulheres muito jovens, que tendem a se esquecer de tomar a pílula diariamente.

Além disso, são mais efetivos que os métodos de barreira como diafragma, e mesmo os hormonais, não liberam hormônios em grande quantidade, a ponto de interferirem significantemente no ciclo hormonal como os anticoncepcionais orais.

Podem ser inseridos no pós-parto e durante o período de amamentação, causam poucos efeitos colaterais, e as mulheres podem interromper seu uso quando desejarem, sem que haja interferência na fertilidade. Não há, portanto, motivos para tão poucas mulheres o utilizarem.

Tipos de DIU

Há dois tipos de DIU, os não hormonais e os hormonais. Os primeiros são feitos de cobre ou de cobre associado à prata, e podem ser usados por até 10 anos. Os íons de cobre liberados na cavidade uterina agem no endométrio e têm ação espermicida, impedindo que os espermatozoides cheguem às tubas uterinas, onde ocorreria a fecundação.

Como esse tipo de DIU pode aumentar as cólicas e os sangramentos menstruais para algumas usuárias, não deve ser indicado para mulheres com problemas de coagulação e anemia, por exemplo.

Já os DIUs hormonais, liberam uma pequena quantidade de progesterona no interior do útero, promovendo o espessamento do muco cervical, de forma a dificultar a passagem do espermatozoide, e impedindo o desenvolvimento do endométrio. Esses DIUs reduzem ou interrompem o fluxo menstrual, mas a mulher continua tendo ciclo hormonal. Além de serem indicados para a contracepção, os DIUs hormonais podem ser utilizados no tratamento de doenças como adenomiose e endometriose.

Instruções de uso

A inserção do DIU é simples e pode ser feita em consultório e sem anestesia, na maioria das vezes. Algumas mulheres, no entanto, necessitam de sedação leve em centro cirúrgico. O dispositivo é inserido por ginecologistas, médicos e enfermeiros, o que torna o dispositivo mais acessível em regiões que não contam com ginecologistas.

Os DIUs não hormonais são oferecidos pelo SUS, mas os hormonais só são ofertados em determinados hospitais públicos, para o tratamento de doenças específicas.

Ao contrário do que foi divulgado recentemente, as mulheres não precisam de autorização do parceiro para utilizar o DIU. O dispositivo é inserido no corpo da mulher, portanto mesmo as adolescentes que optem por ele, devem ser respeitadas.

Escolher se desejamos ter filhos e quando é o melhor momento para isso é um direito que deve ser assegurado a todas as pessoas. Isso só é possível com informação e acesso a métodos contraceptivos variados, para que cada indivíduo possa escolher com qual se adapta melhor.

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