De Porto Barreiro às passarelas do São Paulo Fashion Week, conheça Marcelo Lunardi

“Mesmo que tenha saído há alguns anos de lá, jamais esquecerei o que foi ensinado pelos meus pais. Devo tudo a eles”, relata o jovem modelo

Vindo de uma família humilde de agricultores do interior de Porto Barreiro, da comunidade de Pinhal Preto, surgia um talento esplêndido. Por volta dos 17 anos, quando ouviu um anúncio no rádio, o então adolescente se interessava pela carreira. Mal sabia ele, que hoje estaria na maior cidade do Brasil a caminho da carreira internacional.  
Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, Marcelo Lunardi, filho de dona Maria e sêo João, fala dos desafios e o prazer de levar consigo as suas origens às passarelas. “Mesmo que tenha saído há alguns anos de lá, jamais esquecerei o que foi ensinado pelos meus pais. Devo tudo a eles”.  

Antes da passarela 

Por morar no interior até os 17 anos, Marcelo sempre seguiu a rotina de ir à escola e trabalhar na roça com sua família. Quando se formou no ensino médio, o passo seguinte foi ingressar na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Laranjeiras do Sul, no curso de Ciências Econômicas. “Seguia a minha vida consideravelmente bem, trabalhando em uma lotérica e estudando, até que uma nova proposta para a carreira de modelo me foi dada, o que mudou minha vida de ponta-cabeça”, conta o modelo.  

A primeira oferta, quando ele ainda estava no colégio, foi totalmente apoiada pelos pais, mas o receio em deixar a pequena cidade o assombrava. “Quando tomei coragem em seguir adiante, passei por uma nova seletiva em outra cidade quando a minha antiga agência me notou e me convidou a mudar para São Paulo e trabalhar como modelo de passarela e eu aceitei”. 
Após a decisão, Marcelo conta que teve um mês para mudar-se de estado, pois a agência possuía pressa por apresentá-lo à temporada de moda. “Fiquei maluco, achando que não daria conta, pois estava totalmente virando a chave da minha vida. Hoje, vejo por tudo que passei e me orgulho muito”, ressalta. 

Dificuldades  

Por se tratar de uma carreira muito incerta, em que no início não é aconselhado depender exclusivamente dela, Marcelo conta que buscou outras formas de manter-se. “Durante todo o tempo que estive em São Paulo, trabalhei em restaurantes, como barman, em festas e também atuei como segurança. Enfim, sempre fiz uns bicos para me sustentar, além da profissão como modelo”.  

Conforme ele, as pessoas têm uma visão muito retrógrada de que para ser modelo, é necessário apenas um rosto bonito. “Pelo contrário, é preciso de muita dedicação e aprimoramento, estudando muito sobre moda, tendências e mercado. Estar atento à atualidade também é necessário”. 

Marcelo conta que o período mais árduo se deu em 2020, com o início da pandemia. “Todo o mercado fechou, os trabalhos não só de modelo, mas de todas as categorias, tiveram de parar, negociando modelo e muitas vezes, não obtendo trabalho fixo”.  
Ele ressalta a importancia dos amigos de profissão que mantiveram-no focado, mesmo com as adversidades trazidas pelo momento caótico no país. “Muitos amigos desistiram do sonho por não conseguir se manter em São Paulo, mas graças a Deus, me mantive forte e focado, seguindo a minha carreira”.  

SP Fashion Week 

Passados três meses de preparação para modelar, em 2018, Marcelo realizou os testes para o São Paulo Fashion Week 46, maior evento de moda brasileiro e mundialmente conhecido. “Fiquei impressionado e ao mesmo tempo com muito medo, pois era novo na carreira, principalmente se comparado aos outros modelos que participaram do teste comigo”, conta.  

Apesar do nervosismo, Marcelo obteve a vaga para desfilar no evento por uma marca nova, e esse foi o start em sua carreira. “Minha primeira experiência na passarela foi no São Paulo Fashion Week, então haviam muitos modelos experientes e me senti um pouco acuado, chegando a questionar-me se a decisão tomada era certa”.  

Sem desistir de última hora, o jovem modelo enfrentou seu medo e seguiu em direção da passarela, caminhando para o sucesso. “O percurso percorrido pelo modelo é de 20 metros, parece ser pequeno, mas para mim era infinita”. 

Conforme ele, desfilar em um evento reconhecido mundialmente carrega a sensação estranha de ser visto pelo mundo inteiro. “Após descer da passarela, acalmar-me e assistir o vídeo em que aparecia, percebi que todo o empenho, a preparação valeram a pena. Foi então, que eu percebi que estar na passarela era a profissão da minha vida”, afirma. 

O primeiro contato que Marcelo teve com a passarela foi no São Paulo Fashion Week, evento reconhecido mundialmente – Foto: acervo pessoal

Realização e expectativa  

Para ele, todas as adversidades durante os quatro anos em São Paulo serviram de inspiração para continuar. “Me sinto muito realizado. Minha família, mesmo de longe, me ajudou muito, por isso sou grato a eles. Mesmo saindo da cidade pequena, sempre busco saber da minha origem, para continuar sendo o filho da dona Maria e do sêo João, dando orgulho para eles independente de onde eu esteja”.  

Mudando da carreira fashion para o comercial, Marcelo explana que tudo indica a curva internacional ainda neste ano. “Tudo que um modelo sonha é mudar para o comercial e graças a minha dedicação, hoje sei que o Brasil já não é o meu limite. Sigo em frente, lembrando do meu início lá em Porto Barreiro e levo comigo sempre a vontade de evoluir”, finaliza.  

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