Primeiro volume das memórias de Obama é lançado

No primeiro volume do livro de memórias de Barack Obama, ‘Uma Terra Prometida’, que a Companhia das Letras lançou na

No primeiro volume do livro de memórias de Barack Obama, ‘Uma Terra Prometida’, que a Companhia das Letras lançou na terça-feira (17), o ex-presidente norte-americano é o primeiro a reconhecer a ironia de ter assumido o cargo no dia 20 de janeiro daquele ano com os EUA em guerra. 
Ele passou dois mandatos administrando conflitos bélicos (Iraque, Afeganistão, Líbia), completando oito anos de gestão manchado pelo sangue de seus compatriotas. Culpa é a palavra que ele mais repete na autobiografia. Obama, nunca é demais lembrar, assumiu a presidência com uma onda de falências de instituições financeiras naquela que foi a maior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 1930, a de 2007/2008, provocada por uma bolha imobiliária que levou à execução hipotecária milhões de lares americanos.
As demissões em massa de companhias sólidas como a Boeing e o fantasma da recessão levaram Obama a adotar a estratégia de Keynes: seu governo iria desempenhar o papel de gastador para dar um pontapé inicial na economia e depois fechar a torneira – algo como Roosevelt fez no auge da Grande Depressão, em 1933, lembra ele. Obama se empenhou em colocar dinheiro no bolso do povo por meio de incentivos – vale-alimentação, seguro-desemprego ampliado, redução nos impostos da classe média e ajuda aos Estados para não demitir. A maneira como o governo Obama lidou com a crise financeira ainda hoje desperta debates calorosos, mas, segundo ele, “é difícil contestar os resultados de nossas ações”.
Ainda assim, ele reconhece na autobiografia que deveria ter quebrado bancos e mandado para a cadeia alguns canalhas de colarinho-branco, além de ter ocupado ele mesmo Wall Street e acabado com a farra que levou milhões de americanos à bancarrota.
Não ter feito isso, admite Obama em seu livro de memórias, é algo que o incomoda até hoje. Um obstáculo o impediu de agir assim: Obama tinha consciência que os conservadores o teriam massacrado. Eles (Trump incluído) o viam como “um negro africano com um nome muçulmano e ideias socialistas instalado na Casa Branca, com toda a força do governo dos Estados Unidos sob seu comando”. Depois da palavra culpa, raça é a mais usada num livro de memórias em que sobram críticas a antípodas – ele chama Putin de chauvinista, comparando-o a um adolescente no Instagram “projetando uma imagem de vigor masculino”, numa passagem em que o Brasil é citado pela primeira vez – não exatamente de forma elogiosa, comparado à “economia estatal enferrujada” da Rússia.
O Brasil é citado mais duas vezes no livro, a última quando o Pentágono aguardava a ordem de Obama para tirar do caminho o ditador líbio Muammar al-Gaddafi (1942-2011) – na época, o ex-presidente estava de partida para a América Latina. Foi sua primeira visita à América do Sul. Enquanto discutia com a então presidente Dilma Rousseff, era assediado por assessores, que aguardavam o “sim” contra Gaddafi. Essa ordem foi transmitida em três palavras (“Você está autorizado”) por meio de um celular. Foi a primeira intervenção militar de sua presidência.
As memórias de Obama incluem episódios políticos – a invasão do sistema de computação da sede do partido democrata pela China durante a campanha de Obama e sua luta pelos direitos dos gays. O livro termina com a operação militar para matar o terrorista Osama Bin Laden, a primeira a que ele assistiu como presidente em tempo real.

As informações são do Estadão Conteúdo.