Produção paranaense de cosméticos é destaque no cenário nacional

Estado concentra cerca de 100 indústrias do segmento, de acordo com dados do Sindicosméticos

Quando o farmacêutico Miguel Krigsner abriu uma pequena farmácia de manipulação em 1977, em Curitiba, não imaginava que seu negócio se tornaria um dos mais importantes do País no segmento de beleza. Com a fundação de O Boticário, o Paraná começou a despontar como um importante produtor de cosméticos no País e hoje o Estado concentra cerca de 100 indústrias do segmento, de acordo com dados do Sindicosméticos
A série de reportagens que está apresentando produtos feitos no Paraná mostra um pouco mais da indústria do setor no Estado. E é impossível contar esta história sem falar de O Boticário, hoje a segunda maior empresa do segmento de beleza no Brasil e uma das maiores redes varejistas do País
São cerca de 4 mil lojas físicas e 12 mil funcionários diretos, somando as fábricas de São José dos Pinhais e Camaçari (Bahia)
Este ano, mesmo com a pandemia, o grupo bateu recorde de produção em apenas um trimestre. Foi a maior marca desde a sua fundação. Para dar vazão a esse volume e viabilizar a distribuição dos itens adquiridos por e-commerce nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o grupo inaugurou em agosto um novo centro de distribuição (CD) em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Foram R$ 8,5 milhões investidos na nova unidade.
Uma segunda estrutura com a mesma finalidade está prevista para Curitiba, na qual a empresa pretende investir R$ 75 milhões e que será responsável por todo o abastecimento das lojas próprias, franqueadas, multimarcas e também pela a venda direta (porta em porta) no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Juntos, os dois novos CDs devem gerar cerca de 800 empregos diretos no Estado.
De acordo com a presidente do Sindicosméticos, Mariane Zanetti Chabatura, o segmento é bastante importante para a economia paranaense. “Além das grandes empresas, temos muitas marcas e fábricas pequenas trabalhando para atender nichos e produtos específicos. É uma indústria que emprega muita gente e que sempre atinge bons índices de crescimento”.
O sindicato, acrescenta Mariane, apesar de novo, vem trabalhando para fomentar a qualificação do setor e servir como ponto de apoio para o cumprimento das normas e da legislação vigente para o setor.
Além de presidir o Sindicosméticos, Mariane é sócia e responsável técnica da Dicas Cosméticos, instalada em Curitiba e especializada em fabricar produtos para pequenas marcas. “Os investimentos e regras para se ter uma indústria neste segmento são grandes. Por isso, para muitos pequenos, terceirizar a produção é o mais viável”, explica.
Hoje, a Dicas atende cerca de 30 clientes com todo tipo de produto do segmento de beleza e bem-estar.


Hotelaria 

Em Colombo, na Grande Curitiba, está instalada a maior produtora de cosméticos para hotelaria no Brasil. Com 31 anos de história, a RGMS Cosméticos se especializou em miniaturas de alta qualidade que são disponibilizadas em estabelecimentos de todo o Brasil e da América Latina.
Proprietário da empresa, Mauro Carvalho de Oliveira conta que seus negócios foram diretamente impactados pela pandemia. “Nossas vendas despencaram de um mês para o outro com o fechamento dos hotéis de todo o País”.
Como já tinha um processo de registro para produção de álcool em gel, a empresa adiantou os trâmites e lançou o produto em abril para tentar equilibrar as contas. “Mesmo assim, cortamos nosso quadro funcional pela metade. Mas foi graças ao álcool que conseguimos manter nosso faturamento em cerca de 40% do que estávamos acostumados”.
Neste processo de reinvenção, a empresa foi buscar canais de venda para colocar a nova aposta no mercado. “Fechamos parceria com postos de gasolina, padarias, restaurantes. Tínhamos a certeza de ter um bom produto, mas precisávamos chegar no cliente final”, diz Oliveira.
As parcerias deram tão certo que um dos maiores restaurantes de Curitiba, que passou a colocar em suas mesas o álcool produzido pela empresa, começou a vendê-lo para os clientes, que depois de usarem o álcool queriam levá-lo para casa.
“Como tudo que fazemos, buscamos no mercado itens diferenciados. O mesmo aconteceu com o álcool em gel. Com secamento rápido, aloe vera para não ressecar as mãos e uma fragrância que é nosso carro-chefe nos produtos hoteleiros, tínhamos certeza que agradaria”, afirma.
Com a pandemia veio também a motivação para explorar o mercado direto para o consumidor final. Foi criado, então, um e-commerce para atender esse público com os produtos que já faziam sucesso na rede hoteleira.
“Isso foi o que a pandemia nos trouxe de positivo. Os hóspedes consumiam nossos produtos sem pagar e gostavam. Então, ficou fácil lançar no mercado produtos que agradassem as pessoas. Atualmente, no nosso e-commerce temos o álcool e duas linhas que produzimos para hotéis. Nossa intenção é ir aumentando esta gama”, afirma Oliveira.

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