Movimento ajuda idosos a preservar autonomia e qualidade de vida
Para a personal trainer Maria Eduarda Mohr, exercícios adaptados fortalecem o corpo, ajudam no equilíbrio e podem ampliar a independência na rotina
No dia 27 de setembro, o ‘Dia Nacional do Idoso’ chama atenção para os cuidados e desafios ligados ao envelhecimento. Entre eles está a manutenção da autonomia, da mobilidade e da capacidade de realizar tarefas do dia a dia.
Para a profissional de Educação Física e personal trainer Maria Eduarda Mohr, conhecida como Duda, formada há 5 anos, especialista em Personal Sênior, licencianda em Educação Física e pós-graduanda em Educação Especial e Inclusiva, que atua com treinamento funcional e atendimento domiciliar incluindo o público sênior; o trabalho com idosos vai além da prática de exercícios. A experiência com esse público mudou também sua forma de enxergar a profissão.
“Não existe cuidado sem afeto. A Educação Física me deu a profissão, o conhecimento e a técnica, mas o contato com os idosos me ensinou que, antes de qualquer exercício, existe uma pessoa ali”, afirma.
Segundo Duda, uma das principais mudanças percebidas durante o acompanhamento é a conquista de tarefas que antes pareciam difíceis. “Às vezes é levantar de uma cadeira com mais facilidade, caminhar com mais segurança, participar de uma atividade ou simplesmente se sentir mais confiante. Eu aprendi que nem sempre a maior conquista é aquela que aparece fisicamente. Muitas vezes é o brilho no olhar da pessoa quando ela percebe que ainda consegue”, explica.
Força, equilíbrio e segurança
A profissional destaca que um dos principais equívocos sobre a atividade física na terceira idade é considerar que o idoso deve evitar desafios. Para ela, o exercício pode ser adaptado às condições de cada pessoa, sem deixar de promover evolução. “O idoso pode, sim, ser desafiado. O que muda é a forma como esse desafio é feito. Cada pessoa tem uma história, uma condição e um limite diferente. Não existe idade para deixar de se movimentar. Existe a necessidade de adaptar o exercício para que ele seja seguro e faça sentido para aquela pessoa.”
Segundo Mohr, no treinamento, força, equilíbrio, mobilidade, coordenação e consciência corporal são trabalhados de acordo com as necessidades de cada aluno. O objetivo não é apenas melhorar um movimento isolado, mas preparar o idoso para situações presentes na rotina.“Quando trabalho para fortalecer a perna de um idoso, não estou pensando só no músculo. Estou pensando nele conseguindo levantar sozinho da cadeira, subir uma escada, entrar no carro, carregar uma sacola, tomar banho com mais segurança. O exercício precisa conversar com a vida real.”
A avaliação começa antes da elaboração do treino. Dudaafirma que procura conhecer a rotina, as dificuldades e os objetivos de cada pessoa. Depois, observa aspectos como força, mobilidade, equilíbrio e movimentos cotidianos.“Não gosto de trabalhar com receita pronta”, diz.
Respeito aos limites
Para idosos com artrose, osteoporose, dores crônicas ou outras condições, a orientação é adaptar os exercícios e respeitar as particularidades de cada caso. Quando necessário, o trabalho também considera as orientações de médicos e outros profissionais.
“Primeiro, entendendo que aquela pessoa não é a doençaque ela tem. Ela tem uma condição, uma limitação, uma dor, mas continua sendo uma pessoa capaz de se movimentar e evoluir,”
A profissional também aponta a importância de priorizar a execução correta dos movimentos. “Uma coisa que eu levo muito comigo é: execução antes da carga. Não adianta colocar peso se o movimento não está bem feito e seguro.”
Para quem nunca praticou exercícios ou passou muitos anos sedentário, a adaptação deve ocorrer de forma gradual. Acolhimento e segurança, segundo ela, ajudam na permanência.
“Não dá para fazer uma pessoa que nunca treinou chegar e esperar que ela acompanhe quem já tem experiência. Primeiro ela precisa se sentir acolhida e segura”, destaca.
Autonomia também é qualidade de vida
Os efeitos observados por Duda não ficam restritos ao aspecto físico. Ela relata mudanças também no comportamento e na convivência dos alunos.
“Às vezes a pessoa chega mais quietinha e, com o tempo, começa a conversar mais, rir mais, participar das atividades. E isso também vem da convivência. O momento do exercício vira um momento de encontro”, relata.
Para ela, o envelhecimento com qualidade envolve mais do que a ausência de doenças. “É poder continuar vivendo, participando, tendo autonomia, convivendo com as pessoas e se sentindo importante”, destaca.
A família também pode contribuir para a adesão às atividades, desde que o incentivo preserve a autonomia do idoso. A orientação da profissional é apoiar, acompanhar e valorizar as conquistas sem tratar a pessoa como incapaz.
Para quem chegou aos 60 anos ou mais sem uma rotina de exercícios, Maria Eduarda resume a recomendação em uma palavra: começar.
“Não espere aparecer uma dor, uma dificuldade ou alguma perda de autonomia para perceber a importância do movimento. E não pense que porque você nunca treinou antes não pode começar agora. Comece do seu jeito, respeitando seu corpo e procurando orientação profissional. Nunca é tarde para cuidar de si”, conclui.



