Em entrevista exclusiva ao Jornal Correio do Povo, deputado detalha proposta que busca barrar leite importado com validade reduzida
Durante entrevista exclusiva ao Jornal Correio do Povo do Paraná, com transmissão ao vivo direto do estande na ExpoAgro, o deputado estadual Luis Corti falou sobre os desafios da cadeia leiteira e destacou a importância de novas medidas legislativas para proteger os produtores do Paraná.
Segundo o parlamentar, o setor tem grande peso econômico e social no país. Ele lembrou que cerca de 5% da população brasileira trabalha direta ou indiretamente com a produção de leite. No Paraná, a atividade também tem forte impacto. “A cadeia do leite representa aproximadamente 2% da riqueza do estado. É uma causa justa de apoio, porque envolve milhares de famílias que dependem dessa atividade”, afirmou.
Corti destacou que, diferente da produção de grãos, a pecuária leiteira exige investimentos de longo prazo e não permite mudanças rápidas na atividade. “Quando o produtor abandona o leite, dificilmente consegue voltar em pouco tempo. Reestruturar uma cadeia leiteira dentro de uma propriedade pode levar de 10 a 15 anos”, disse.
Lei contra concorrência desleal
Durante a entrevista, o deputado deu ênfase a uma nova proposta que já foi protocolada na Assembleia Legislativa do Paraná e que busca evitar a entrada no estado de leite com prazo de validade reduzido.
A medida estabelece que produtos lácteos só poderão entrar no Paraná se ainda tiverem pelo menos 75% da validade total disponível. “Se um produto tem validade de um ano, por exemplo, ele precisa chegar ao estado com mais de oito meses de prazo”, explicou.
Segundo Corti, a proposta busca impedir que leite importado próximo do vencimento seja vendido a preços muito baixos, prejudicando a produção local. “Quando o leite em pó está perto de vencer, ele pode ser comercializado pela metade do preço no mercado internacional. Isso acaba quebrando o produtor brasileiro”, afirmou.
Impacto esperado no setor
O deputado também citou outra medida recente do estado, que proibiu a reidratação de leite em pó no Paraná, prática em que o produto é importado e transformado novamente em leite líquido com adição de água.
“O leite tem cerca de 87,5% de água e 12,5% de sólidos. Com um quilo de leite em pó e nove litros de água, se produzem dez litros de leite reidratado”, explicou. Segundo ele, essa prática fazia o produto chegar ao mercado por cerca de R$ 1,90 por litro.
Para Corti, as novas iniciativas representam um avanço para o setor. “Estamos abrindo um novo tempo de debate sobre o leite. Essa nova lei é inteligente e pode ajudar a proteger quem produz no Paraná”, conclui.



