Leite ganha mercado futuro para proteger produtor

Nova ferramenta permite travar o preço da produção antes da entrega e reduz os impactos das oscilações do mercado

Quem produz leite conhece bem a dificuldade de planejar a atividade diante das constantes variações de preço. Em um mês, o valor pago pelo litro pode estar em alta e, no seguinte, cair de forma significativa. Para oferecer mais segurança ao produtor, entrou em operação, o ‘mercado futuro do leite’, mecanismo que permite negociar antecipadamente o preço da produção que será entregue nos meses seguintes.

O tema foi debatido pela Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, que reuniu representantes das principais regiões produtoras do Paraná para apresentar o funcionamento da ferramenta e discutir seus benefícios para a cadeia leiteira.

Na prática, o mercado futuro funciona como uma forma de proteger o produtor das oscilações do mercado. Antes mesmo da entrega do leite, ele pode fechar um contrato com a indústria ou outro comprador, definindo o preço que será pago futuramente. Dessa forma, caso o mercado sofra queda, o valor combinado permanece garantido. Se houver alta, o preço estabelecido no contrato continua valendo para ambas as partes.

Mais segurança para planejar

Esse tipo de negociação, conhecido como hedge, já é utilizado há muitos anos em culturas como soja, milho e boi gordo. Agora, a expectativa é que também se torne uma alternativa para a pecuária leiteira, oferecendo mais previsibilidade para o planejamento financeiro das propriedades.

O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas. É questão de tempo para que os pecuaristas conheçam a ferramenta e passem a aproveitar seus benefícios“, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Durante a reunião, a gerente de Riscos da StoneX Leite Brasil, Marianne Tufani, explicou que a negociação acontece no chamado mercado de balcão, diretamente entre comprador e vendedor, sem passar pela bolsa de valores. Segundo ela, cerca de 70% dos agentes do mercado internacional de leite já utilizam esse sistema para reduzir riscos e dar mais estabilidade aos negócios.

Para participar, o produtor precisa abrir uma conta em uma corretora habilitada, procedimento que exige apenas análise documental e não gera custos.

Outros desafios do setor

Além da apresentação da nova ferramenta, a comissão discutiu temas que seguem preocupando os produtores paranaenses. Entre eles estão os custos de produção, a sanidade do rebanho, os preços pagos pelo leite, o acesso ao crédito e, principalmente, a qualidade do fornecimento de energia elétrica.

Segundo os participantes, as quedas frequentes de energia continuam causando prejuízos nas propriedades, comprometendo o funcionamento dos equipamentos de ordenha e refrigeração, além de provocar perdas na produção.

O mercado futuro do leite foi desenvolvido em parceria entre o Sistema FAEP, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).