Débora e Djaelson: um casal operário

Atletas paraibanos se conheceram em 2006 e estão juntos desde 2010. “Revelada” pelo Rubrão, ela pausará a carreira, mas por um motivo nobre

Por Juliam Nazaré

Hoje (12), Dia dos Namorados, é a vez de contar uma história de amor com o futsal como pano de fundo. Sim, pois o amor é complexo: está entre os casais, na paixão por um clube e na satisfação de uma profissão. A história de Djaelson e Débora mistura tudo isso. 

Os paraibanos jogam no Operário Laranjeiras. Aos 28 anos, o fixo está no grupo que ocupa o G4 da Série Ouro do Campeonato Paranaense. Ela, um ano mais velha, foi “revelada” para a modalidade em 2021 e integra o elenco que está invicto na Série Prata Feminina

O relacionamento

Apesar de jovens, o relacionamento de Djaelson e Débora não é recente. Natural de Campina Grande e torcedora do Treze/PB, ela foi para a capital João Pessoa/PB para estudar. Na terra do Botafogo Paraibano, Débora conheceu, em 2006, o torcedor do clube rival que se tornaria o companheiro de vida.

Os dois chegaram a viajar juntos com a delegação do estado para a fase nacional dos Jogos Escolares, mas o pontapé do namoro só teve início em 2010. Nesse ano, Djaelson deu início à carreira profissional e foi contratado pelo Minas Tênis. A partir de então, eles mantiveram o relacionamento, mas se viam pessoalmente apenas duas vezes por ano. Durante o período, ele despontou para a Liga Nacional, jogou pelo Keima de Ponta Grossa, no Jaraguá/SC e voltou para o Paraná, onde foi campeão da Série Ouro com a Copagril. 

Enquanto isso, Débora se formou designer e alimentava a carreira de jogadora no handebol. Em 2017, os dois enfim colocaram fim à distância e selaram o casamento.  “Nesse ano eu vim para Guarapuava jogar no CAD. Nisso, ela não conseguiu continuar jogando handebol, pois na cidade não havia time”, recorda Djaelson.

República Tcheca

Em 2018, os dois rumaram para Campo Mourão e por lá ninguém ficou sem oportunidades. Débora integrou o elenco da cidade na Série Ouro de handebol e foi a 3ª colocada. 

Um convite para Djaelson jogar na República Tcheca fez os dois conhecerem o leste europeu. Durante dois anos, ele treinava e jogava durante a semana, e nos sábados e domingos dedicava o tempo às viagens com a esposa pelos países vizinhos, como Alemanha e Hungria. 

“Nós morávamos em Teplice, uma cidade pequena. Isso nos permitiu conhecer a fundo aquela região. De todo o lugar que fomos, trouxemos uma lembrancinha que está espalhada pela nossa casa, inclusive um pedaço do muro de Berlim”, conta o jogador. 

Apenas no 2º ano fora do país Débora conseguiu ser contratada num clube de handebol. Como não havia praticado com intensidade o theco, idioma local, o marido, nas horas vagas, era responsável por ser o tradutor e elo de ligação entre a treinadora e a esposa. 

O Operário revela Débora para o futsal

Djaelson foi sincero: até a final da Série Prata, não conhecia o Operário Laranjeiras. Admirador de Luciano Bonfim, recebeu o convite do treinador para integrar a equipe no início de 2021. 

Débora acompanhou o marido na nova cidade. Não entrou para nenhum time de handebol, mas iniciou, aos 29 anos, a carreira no futsal. “Sempre gostei de jogar futebol de praia. Num dia, eu e o Djaelson estávamos no Laranjão jogando ‘altinha’ com dois meninos do time. O Gustavo viu que eu tinha bom desempenho e me convidou para integrar a equipe feminina”, conta. 

”A Débora assiste a todos os meus jogos, desde quando começamos a namorar. Deixei ela à vontade para saber se ela queria isso mesmo. Ela gosta da rotina de atleta. Laranjeiras do Sul já está na nossa história como casal pela carreira dela no futsal”, diz Djaelson. 

Débora conta que a vida a dois corre tranquila, pois os dois possuem afinidades afins. “Somos parecidos nos gostos, na alimentação. Um cuida do outro. Nos damos bem. Agora que sou jogadora sei que não é tão fácil como achava e cobrava dele. A gente comenta os treinos e os jogos”, confessa.  “A gente divide as tarefas de casa. Eu saía cedo, quando terminava o dela estava começando”, diz Jaelson. 

Gravidez

Com apenas três meses de atividade, Débora suspendeu a carreira no futsal, mas por um motivo nobre. Ela está grávida. “Descobri há duas semanas. Joguei os dois jogos do campeonato já grávida, mas está tudo bem”, conta Débora. 

Até então, quem sabia da novidade eram apenas os familiares, além de alguns colegas de equipe. Djaelson projetava revelar a todos a vinda do filho com um gol no jogo contra o São José dos Pinhais, ontem (11), pela Série Ouro. O atleta até teve uma clara oportunidade, mas desperdiçou. O gol não veio, mas em compensação o Rubrão venceu o duelo por 4×2 e assumiu a vice-liderança do estadual.