31 anos do ECA: Resgatando Memórias, do CRAS, na garantia dos direitos da criança e do adolescente

Por Thamiris Costa O Resgatando Memórias é um projeto criado pelo Centro de Referência Social (CRAS) que visa criar meios

Por Thamiris Costa

O Resgatando Memórias é um projeto criado pelo Centro de Referência Social (CRAS) que visa criar meios para continuar acompanhando as famílias que atendem, mesmo em meio a pandemia de Covid-19.

Abarcando muitas atividades diferentes, em junho eles realizaram um concurso baseado no Dia Internacional ao Combate do Trabalho Infantil, comemorado no dia 12. O objetivo foi incentivar os participantes do Serviço de Convivência da Criança e do Adolescente e do Serviço de Convivência para o Idoso a escreverem e desenharem para concorrer em um concurso.

Resgatando Memórias em julho

Agora em julho, considerando que o Estatuto da Criança e do Adolescente completa 31 anos hoje (13), o Resgatando Memórias continua conduzindo a temática contra o trabalho infantil, fazendo, junto com os adolescentes do Centro da Juventude e os Agentes da Cidadania, atividades que estimulam a reflexão dos direitos violados.

“Hoje serão colhidos trabalhos apresentados pelos participantes através de desenhos, apresentações, teatro e slides que explicam os direitos violados, sendo que todos levam em consideração o Estatuto da Criança e do Adolescente”, explicou Janice Couto, pedagoga e diretora do serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e do Centro da Juventude.

O Resgatando Memórias continuará com as atividades acerca da conscientização das crianças e dos adolescentes contra o trabalho infantil até agosto. Ele contará, ainda, com depoimentos de ex-alunos, que hoje são profissionais, mas que na época estavam inseridos no trabalho infantil.

“O Serviço de Convivência, que antigamente era só Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET), há muitos anos trabalha fazendo resgates de crianças e adolescentes, retirando-os do trabalho e inserindo-os nas oficinas, preparando-os educacionalmente para empregos aos quais hoje são profissionais com sucesso”, conta Janice.

Desenho feito por um dos participantes do projeto
Resgatados pelo PET

Entre alguns dos ex-alunos do Serviço de Convivência que apresentaram depoimentos, estão Vandoni Moro, hoje professor de artes e artista plástico, e Ademilson Moraes, vereador de Laranjeiras do Sul.

Os dois contaram em seus testemunhos que, devido a fatores que envolviam dificuldades financeiras, falta de acesso à educação e outros, precisaram trabalhar ainda enquanto crianças. “Eu trabalhei como engraxate, vendedor de sorvete, boia-fria, cortador de grama, carpia lotes etc”, relembrou Vandoni.

“Eu era muito bagunceiro”, conta Vandoni. “Não via sentido no trabalho para só conseguir dinheiro, mas não sabia exatamente o porquê, até conhecer os professores do PET, que me ajudaram a refletir sobre a vida e sobre o futuro, me fazendo buscar outra realidade para mim”, detalha.

A partir disso, Vandoni fez supletivo, magistério, pós-graduação e até mestrado voltado para arte, paixão da sua vida. Hoje em dia ele é professor e continua com suas obras artísticas, inclusive ensinado técnicas de desenho e pinturas no seu canal do Youtube “Valdoni Moro Batista”.

“Eu já cheguei a catar latinha quando criança”, contou Ademilson Moraes. “Mas, depois que encontrei o PET, minha história mudou totalmente pois tive a oportunidade de conhecer pessoas e amigos que ajudaram a guiar meu futuro”.
Ademilson conta que o que ele mais gostava de fazer no PET era comer, porque era uma das únicas refeições que tinha na época. Lá, ele conheceu a Janice, que, segundo ele, “pegou na mão e adotou”, incentivando-o a estudar e participar das oficinas de teatro.

Depois disso, ele teve a oportunidade de virar professor, o que o ajudou financeiramente. “Em 2009 eu saí do programa para atuar em empresas e hoje, além de empresário também sou representante da cidade, vereador de Laranjeiras do Sul”, afirmou. “É por isso que incentivar os sonhos é tão importante, os jovens precisam acreditar que dar um passo à frente é possível”, concluiu.