A dama de ferro da Romancini

Após deixar a carreira como advogada, Lu Romancini assumiu a gestão empresa da família e tem protagonizado resultados que vão do aumento dos lucros às premiações a nível nacional

Apesar de ter nascido em Laranjeiras, Lu Romancini deixou a cidade aos 16 anos, para cursar o último ano do Ensino Médio. Em Ponta Grossa, formou-se em direito e fez mestrado em Ciências Sociais. Por lá fez carreira atuando como advogada e professora da área.

Em 2016, recebeu do pai, Luiz Carlos Romancini, o convite para assumir, ao lado dele, o comando da Romancini – Troncos e Balanças, empresa familiar referência no setor do agronegócio. Embora não fosse algo almejado até então, ela aceitou a empreitada, tomando o desafio de deixar Ponta Grossa, o cotidiano diverso de uma cidade grande e a carreira de Direito.

A relação com pai

A CEO da Romancini explica que embora sempre tenha tido bom convívio com o pai, quando assumiu o cargo teve medo que a relação profissional atrapalhasse a familiar.

“Sempre tive uma afinidade grande com meu pai, sempre admirei-o e percebi nele alguns valores que carrego comigo. Mas eu receava brigar com o meu pai, não me entender com ele na maneira de conduzir os negócios, como de fato aconteceu e de quando em vez acontece. Tinha medo que essa relação profissional atrapalhasse a de pai de filho”.

O agronegócio é uma área em que a imersão da mulher ocorre gradativamente. De acordo com Lu, cerca de 20% das propriedades são gerenciadas por mulheres. Ela, enquanto gestora, experimentou o gosto do preconceito, mas revela como fez para não se sentir atingida.

“Houve uma certa ressalva por parte dos colaboradores – ainda existe isso, ‘ah, tem uma mulher que gerencia a nós, homens’. Nunca me enxerguei diferente do homem, no sentido de capacidade e valorização. O machismo é cultural, então eu enfrento com trabalho. No momento em que você trabalha e se dedica, você é valorizado, mas é claro que existe um ‘pré-conceito’. Mas não encaro a empresa apenas como negócio, mas como um legado que o meu pai construiu”, explica.

Nova identidade

A mudança de profissão e de cidade foram os principais desafios a serem superados no primeiro ano de regresso de Lu e sua família. “Eu tinha receio de perder minha identidade. Fora de Laranjeiras, eu era a Lu Romancini, aqui eu passei a ser ‘a filha do Romancini’. As pessoas te enxergam como alguém que veio para pegar algo pronto. Acham que você não foi capaz lá fora, o que não é o meu caso, pois estava bem em Ponta Grossa. Só que eu conquistei meu espaço no cenário do agronegócio nacional em pouco tempo”.

Fase gloriosa

Prova do sucesso é que Lu foi premiada, inclusive, pela gestão da empresa. Durante a gerência dela, a Romancini ganhou outra “cara”, renovou-se. As vendas aumentaram e os produtos ganharam visibilidade.

Em 2019, apenas 3 anos após a sua chegada na empresa, Lu recebeu o Troféu Mérito Empresarial da ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, maior entidade pecuária do Brasil e da América Latina. “Eu recebi a notícia desse prêmio em um momento muito difícil pra mim dentro da empresa, então ele me trouxe a resposta que eu tanto pedia a Deus: eu estou no caminho certo? Naquele momento, tive a certeza de que estava exatamente onde deveria estar”, ressaltou.

No ano passado, a empresa levou o prêmio Touro de Ouro, que condecora a empresa do ramo de troncos e balanças mais recordada pelos pecuaristas brasileiros. O feito desbancou a hegemonia de 10 anos de uma concorrente.

“Não posso dizer que a empresa não dava certo, mas havia parado no tempo,na questão do marketing, de participação em eventos, na pecuária 4.0. Trabalhava-se muito, fazia-se um bom produto, mas não falava-se dele. O meu trabalho foi pegar tudo de bom que a empresa tinha e mostrar lá fora. Ao mesmo tempo, tínhamos uma gestão não-profissional, não havia controle de processos e estoques. Depois que cheguei, mudamos a gestão, passamos a ter uma empresa mais organizada e a margem de lucro aumentou, com menos perdas, inadimplência e passamos a investir em projetos de marketing e mídia”, comemora.

Direito, nunca mais

Advogada por formação, ela não pretende voltar a exercer a profissão. Está “apaixonada” pelo agro. “Nunca gostei de rotina e quando você é professor ou advogado, tem uma rotina. À frente da empresa, nenhum dia é igual ao outro. Não me vejo mais advogando, lecionando, até penso. Como advogada, tinha satisfação, mas hoje não posso mais fazer isso. Não se faz advocacia nas horas vagas. Não me vejo fazendo outra coisa e nem indo embora para Laranjeiras”. As próximas metas de Lu são internacionalizar a marca e dobrar os lucros.

A vida fora do trabalho

Mãe de Maria Fernanda, de sete anos, Lu tem buscado equilíbrio entre as funções como mãe e CEO da Romancini. Quando vai a feiras, chega a ficar 15 dias longe de casa. “Explico a ela que amo a ela e ao trabalho e que ele é importante para mim. Têm funcionado”.

Lu gosta de livros e dá preferência aos que tratam de administração e gestão, mas não dispensa ficção. Sair com a filha, com as amigas, assistir filmes e praticar yoga e musculação são seus hobbies.

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