Ci Carvalho teve um Encontro na Globo

A história de vida de uma baiana “retada” e radicada em Laranjeiras do Sul chegou até aos bastidores da TV

A história de vida de uma baiana “retada” e radicada em Laranjeiras do Sul chegou até aos bastidores da TV Globo. A trajetória de vida pessoal e como empreendedora de Maria Aparecida Carvalho Vaz, a popular “Ci Carvalho” chamou a atenção dos diretores do “Encontro com Fátima Bernardes” e ganhou um espaço na edição que foi ao ar ontem (31).

A gravação ocorreu há cerca de duas semanas, mas Cida precisou guardar segredo até o dia que antecedeu a exibição. Não fosse a pandemia, ela viajaria até ao Rio de Janeiro e teria a conhecia de perto a estrutura e os profissionais da 2ª maior rede de televisão do mundo. Diante disso, a entrevista foi feita e gravada remotamente.

Seca, tragédia e sucesso como microempresária

Natural do sertão baiano, Cida é retirante da seca. Ela morou em Uibaí, no Centro-Norte do estado, até os 9 anos, quando foi com a família para São Paulo, em busca de uma vida melhor. Em São Bernardo do Campo, cresceu e conheceu o marido, um ex-seminarista natural de Marquinho. Por conta da pouca oferta de aulas na rede de ensino paulista, eles decidiram vir para a terra-natal dele. Em 2002, ela e o filho, Pedro, sobreviveram a um acidente que vitimou o marido e dois amigos.

Cida passou cinco anos entre a cama e a cadeira de rodas, recuperando-se do ocorrido. Em 2004, iniciou a faculdade de Letras, onde apaixonou-se pela literatura. Passou então a lecionar em colégios e cursinhos pré-vestibular da cidade.

Em 2016, após ganhar um pote de mel, Cida encontrou num velho caderno de receitas uma receita de pão de mel. A receita rendeu e ela levou o doce para seus alunos degustarem. Foi uma aclamação e os estudantes pediram que ela fabricasse mais pãezinhos, dessa vez para a venda.

A partir de então, foi o prodígio. Ela passou a experimentar novas misturas, sempre apostando nos melhores ingredientes. Certo dia, após entregar um de seus doces para a dona de um restaurante da cidade – para que esta avaliasse a qualidade -, teve as redes sociais inundadas de pedidos. Foram feitos mais de 300 pães de mel apenas em um fim de semana. Foi um caminho sem volta para a “profissionalização” como confeiteira.

Desde então, passou a fazer cursos do Sebrae, aprendendo técnicas da área e de gestão de uma microempresa. No início do ano passado, inaugurou seu estabelecimento e têm apostado numa variedade de doces artesanais que já conquistou os laranjeirenses.

“Eu conhecia um pouco de literatura, mas de culinária, eu sabia o básico de casa. E para empreender você precisa aprender diariamente. Eu sabia administrar a minha casa, mas não o meu negócio de pães de mel. O Sebrae foi o divisor de águas da minha vida. Com ele, aprendi a gerir – e ainda estou aprendendo – e cresci. O Sebrae não nos olha apenas como empreendedor, ele nos olha como ser humano e valoriza a nossa história de vida”, conta.

Toda essa caminhada, da Bahia para São Paulo, de São Paulo para o Paraná, já chamou a atenção do Sebrae de Cascavel e de Brasília e foi através deles que a TV Globo tomou conhecimento da história. Cida foi a entrevista que fechou a série de matérias em alusão ao mês da mulher.

A entrevista na Globo

Cida é mais uma das vítimas daqueles telefonemas com números de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, que infernizam os celulares. Há cerca de duas semanas, ela recebeu algumas ligações do Rio de Janeiro e recusou, acreditando ser um novo importuno. Mais tarde, um número chamou-a no WhatsApp, identificando-se como da produção do “Encontro”. Cida mais uma vez relutou e só após certa insistência ela de fato acreditou que não se tratava de um golpe.

“Quando vi a ligação, brinquei: é do presídio (risos). Depois, com as mensagens, ela me explicou que soube de minha história pelo Sebrae e então eu acreditei”.