Cláudio Rieke entre a Psicologia, o Direito e a ciência

Em entrevista ao PodCor, psicólogo e advogado abordou sua formação, estudos, educação científica, pensamento crítico, tecnologia e informação

O psicólogo, advogado, funcionário público federal e colunista do Correio do Povo Cláudio Rieke foi o convidado do PodCor. Durante a conversa, ele falou sobre sua trajetória profissional, a formação em Psicologia e Direito e temas que fazem parte de seus estudos e textos, como ciência, filosofia, comportamento, tecnologia e pensamento crítico.

A trajetória profissional de Rieke passou por diferentes áreas e teve como ponto de partida a Psicologia. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ele fez formação em psicoterapia de família e trabalhou por cerca de cinco anos em uma unidade hospitalar voltada à saúde mental, com pacientes dependentes químicos e usuários de drogas.

“Foi uma experiência interessante. A aplicação da Psicologia ali me trouxe uma formação boa. Inclusive, alguns textos que eu escrevo, eu puxo essa questão psicológica e me remete àquela época do hospital”, afirmou.

Depois da experiência na área da saúde, Rieck ingressou no setor bancário. Trabalhou em Laranjeiras do Sul e, posteriormente, foi transferido para Rio Bonito do Iguaçu, onde atua há cerca de 19 anos. Ao longo desse período, decidiu voltar à universidade para cursar Direito.

A escolha veio após um desafio feito pelo advogado Luiz Antônio. Cláudio conta que perguntou se alguém com mais de 50 anos poderia começar uma nova graduação. A resposta foi um incentivo para seguir em frente.

“Eu fui lá e fiz”, disse.

A formação, no entanto, enfrentou obstáculos. Durante o curso, Rieke teve tuberculose na coluna e também atravessou o período da pandemia. Mesmo formado, a atuação na advocacia ficou limitada pela rotina no banco público federal em que trabalha.

Direito e atuação extrajudicial

Cláudio afirma que mantém os estudos na área jurídica e pretende ampliar sua atuação no Direito por meio de procedimentos extrajudiciais. Segundo ele, esse caminho permite conciliar a atividade com o trabalho bancário, já que parte dos procedimentos ocorre em cartórios e não exige participação em audiências judiciais.

“Eu nunca perdi de vista o estudo do Direito. Então, tenho estudado muito, tenho lido muito. Eu compro, leio e escrevo muita coisa sobre Direito”, relatou.

A experiência nas duas áreas também aparece em seus textos publicados no jornal. Para produzir os artigos, ele escolhe um tema, pesquisa diferentes fontes e revisa o material antes da publicação.

Entre ciência, filosofia e religião

O interesse por ciência e filosofia ocupa parte importante da rotina do colunista. Entre os autores que estuda estão Carl Sagan e Friedrich Nietzsche. Rieck também relatou ter passado por diferentes experiências e se definiu como agnóstico.

Na conversa, ele destacou o conceito de falseabilidade, associado ao filósofo Karl Popper, como uma das bases para diferenciar uma hipótese científica de uma afirmação que não pode ser testada. Para Rieke, a ciência avança justamente porque suas explicações podem ser questionadas e confrontadas com novas evidências.

Durante a conversa, o apresentador Leandro Duarte, que também se declara admirador de Carl Sagan, citou uma frase atribuída a Albert Einstein e reproduzida na introdução do livro ‘O Mundo Assombrado pelos Demônios’, de Sagan, sobre a importância do conhecimento científico: “Toda a nossa ciência, comparada à realidade, é primitiva e infantil. No entanto, é a coisa mais preciosa que nós temos.”

Cláudio concordou com a reflexão e destacou a importância da ciência como ferramenta para compreender a realidade. Segundo ele, o pensamento científico exige disposição para rever conclusões diante de novas informações e para reconhecer os limites do conhecimento. Essa postura também está presente em seus textos, nos quais procura relacionar ciência, filosofia, comportamento e questões do cotidiano.

Internet, algoritmos e formação de opiniões

Outro tema abordado foi a influência da internet na maneira como as pessoas recebem informações. Rieke falou sobre os algoritmos das redes sociais e o efeito das chamadas bolhas de informação.

Segundo ele, a personalização dos conteúdos pode fazer com que o usuário receba cada vez mais materiais semelhantes àquilo que já consumiu, reduzindo o contato com ideias diferentes.

A discussão levou ainda aos conceitos presentes em obras como ‘1984’, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Cláudio relacionou os livros às formas distintas de controle social apresentadas pelos autores e à relação contemporânea das pessoas com excesso de informação, entretenimento e estímulos digitais.

Para ele, a disponibilidade quase permanente do celular também diminui os momentos de pausa necessários para reflexão.

“O momento em que o cérebro para e começa a trabalhar” aparece, na visão de Rieke, justamente nos intervalos em que a pessoa deixa de consumir informação e passa a elaborar aquilo que recebeu.

A busca pela verdade

Ao longo da entrevista, Cláudio voltou várias vezes à relação entre conhecimento, evidências e percepção. Para ele, questionar uma ideia não significa apenas apresentar uma opinião contrária, mas buscar elementos que permitam avaliar se determinada afirmação corresponde à realidade.

O tema também aparece em sua coluna, cujo encerramento, segundo ele, remete à expressão latina Quid est veritas?, ou “O que é a verdade?”.

A pergunta serviu como ponto de partida para uma reflexão sobre os limites da percepção humana e a dificuldade de estabelecer certezas absolutas.

O PodCor vai ao ar todas as quintas-feiras, às 18h30, trazendo convidados para conversas sobre trajetórias, experiências e diferentes temas do cotidiano. O episódio com Cláudio Rieke está disponível e pode ser acompanhado por quem quiser conhecer mais sobre sua história e suas ideias. Os demais episódios também podem ser conferidos no YouTube e Spotify do Correio Digital.