Psicóloga Lyliane Moresco fala sobre sua trajetória e o cuidado emocional
Profissional fala sobre os sinais de sofrimento, a importância da terapia e o papel do autoconhecimento na saúde mental
O Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, chama a atenção para a atuação de profissionais que trabalham com a saúde mental e a escuta. Em entrevista ao Jornal Correio do Povo do Paraná, a psicóloga e psicanalista, Lyliane Moresco, fala sobre sua trajetória, os sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda e o papel da terapia no cuidado emocional.
Não espere perder a si mesmo para começar a se cuidar.
Lyliane Moresco
Psicóloga e Psicanalista
Uma trajetória construída em diferentes áreas
A história de Lyliane com a Psicologia começou em 2000, quando o curso chegou a Cascavel. Ela iniciou a graduação em período integral e concluiu a formação em 2005. Depois, passou pela psicologia social, educação, políticas públicas e socioeducação.
No início da carreira, trabalhou na Proteção Social Especial e também como professora de Psicologia no Colégio SESI. Mais tarde, mudou-se para São Paulo, onde atuou no Centro de Referência de Assistência Social, o CRAS, com famílias em situação de vulnerabilidade.
A trajetória seguiu para as políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes e, posteriormente, para a socioeducação. Atualmente, Lyliane atua no Cense de Laranjeiras do Sul e é especialista em ‘Adolescente em Conflito com a Lei.’
Paralelamente ao serviço público, há quase dez anos, iniciou a atuação em clínica, em Laranjeiras, em parceria com uma colega de profissão.
Sua aproximação com a Psicanálise começou ainda na graduação e foi aprofundada com a especialização em Clínica Psicanalítica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Para Lyliane, a passagem por diferentes áreas ajudou a formar sua visão sobre a profissão. “Sempre acreditei em uma Psicologia atuante, viva e comprometida com a realidade. Acredito que o psicólogo pode e deve ocupar diferentes espaços, levando a sua escuta e o seu conhecimento para além do consultório,” diz.
Quando procurar ajuda
A psicóloga percebe uma mudança na forma como a sociedade trata a saúde mental. Segundo ela, a terapia deixou de ser vista apenas como uma ferramenta para momentos de crise e passou a ser compreendida também como espaço de autoconhecimento e cuidado.
Apesar disso, ainda existem barreiras. Entre elas está a ideia de que procurar um psicólogo seria sinal de fraqueza ou de incapacidade para resolver os próprios problemas.
Moresco também alerta para o risco de transformar experiências comuns em diagnósticos. “Nem todo sofrimento é uma doença, assim como nem toda tristeza, ansiedade ou dificuldade significa necessariamente um transtorno,” explica.
Entre os sinais que merecem atenção estão ansiedade, estresse, irritabilidade, tristeza e preocupação frequentes, principalmente quando começam a interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou na rotina.
Isolamento, dificuldade de concentração, sensação constante de sobrecarga e perda de prazer em atividades que antes faziam sentido também podem indicar que é hora de buscar ajuda.
Para a profissional, não é necessário esperar que o sofrimento chegue ao limite. “A terapia não precisa começar apenas quando existe uma crise. Ela também pode ser um espaço de autoconhecimento, de reflexão e de prevenção,” diz Lyliane.
O papel da Psicanálise
Na Psicanálise, Lyliane explica que a escuta busca compreender não apenas o que a pessoa diz de forma direta, mas também sua história, seus vínculos, desejos e conflitos.
“A Psicanálise oferece, antes de tudo, um espaço de escuta,” afirma. O processo pode ajudar o paciente a perceber relações entre experiências anteriores e situações que ainda influenciam suas escolhas, sentimentos e relacionamentos.
A profissional ressalta que não existem respostas prontas. A partir da fala e da escuta, cada pessoa pode construir novas formas de compreender a própria história e lidar com aquilo que vive.
Para Lyliane, o trabalho também passa pela possibilidade de o paciente se reconhecer como parte ativa desse processo. “É o próprio sujeito que, ao falar e se escutar, vai podendo perceber aquilo que antes talvez não conseguisse enxergar,” afirma.
Cuidar antes de chegar ao limite
Para quem ainda tem receio de procurar terapia, a psicóloga reforça que pedir ajuda não significa fraqueza. Segundo ela, reconhecer os próprios limites também faz parte do cuidado.
No cotidiano, Moresco recomenda atenção ao descanso, ao lazer, às relações, aos limites pessoais e às necessidades do próprio corpo. Ela também destaca a importância de não viver de forma permanente em estado de sobrecarga.
“Pedir ajuda não diminui ninguém. Pelo contrário, reconhecer os próprios limites e procurar apoio quando necessário é uma demonstração de consciência e de cuidado consigo mesmo,” conclui Lyliane.
Na avaliação da psicóloga, cuidar da saúde mental não deve ser uma medida tomada apenas diante de uma crise. O cuidado também está nas escolhas diárias e na capacidade de perceber quando é necessário diminuir o ritmo, buscar apoio e olhar para si.



