“Senado não pode ser balcão de emendas,” afirma Álvaro Dias
As eleições de 2026 começam a movimentar o cenário político brasileiro e colocam em evidência a escolha dos próximos representantes do Paraná no Senado Federal. A Casa Legislativa desempenha funções estratégicas na definição dos rumos do país, participando da formulação de leis, da fiscalização das ações do governo e de decisões que influenciam diretamente estados e municípios.
Diante desse contexto, os jornais Correio do Povo do Paraná e Extra Guarapuava dão continuidade a série de entrevistas com os pré-candidatos ao Senado, abrindo espaço para que apresentem suas prioridades e respondam sobre temas de interesse da população. A proposta é oferecer aos leitores informações que contribuam para o debate público, com ênfase nas demandas da região Central do Paraná, especialmente de Laranjeiras do Sul e Guarapuava.
Nesta entrevista, o pré-candidato Álvaro Dias (MDB) fala sobre a união do centro político, a retomada da reforma política e o fim do foro privilegiado. Para ele, o Senado “não pode ser um balcão de emendas”, mas sim a Casa de controle do poder público.
Correio do Povo do Paraná – O senhor defende há anos o fim do foro privilegiado. Por que esse tema continua central na sua agenda?
Álvaro Fernandes Dias – O foro privilegiado é uma distorção do sistema de Justiça brasileiro. Eu sempre disse, e repito, que ele cria dois Brasis: um para o cidadão comum e outro para autoridades. Isso é inaceitável numa democracia.
Apresentei essa proposta no Senado porque entendo que todos devem ser julgados da mesma forma, na primeira instância, como qualquer cidadão. O projeto foi aprovado no Senado, mas ficou parado na Câmara dos Deputados. Isso é algo que pretendo recolocar no debate político, porque não é um tema de governo, é um tema de República.”
Correio do Povo – O senhor diz que o Senado deve fiscalizar o Executivo e não apenas “levar recursos”. O que isso significa na prática?
Álvaro Dias – O Senado não pode ser reduzido a um espaço de distribuição de recursos para municípios. Essa é uma visão distorcida do papel do parlamentar.
A função constitucional do senador é fiscalizar o Poder Executivo, legislar sobre temas estruturantes e zelar pelo equilíbrio institucional. Quando o Parlamento se transforma apenas em intermediário de verbas, ele perde sua essência.
Eu sempre defendi que o controle do gasto público, a fiscalização dos atos do governo federal e o aperfeiçoamento das instituições são tarefas muito mais importantes do que a simples disputa por emendas.
Correio do Povo – O senhor defende a reforma política há décadas. O que ainda falta mudar?
Álvaro Dias – A reforma política é uma necessidade permanente no Brasil. O nosso sistema favorece a fragmentação partidária, dificulta a governabilidade e estimula práticas que não contribuem para o fortalecimento da democracia.
Defendo mudanças como o fortalecimento da cláusula de desempenho, o fim das coligações proporcionais e regras mais rígidas de fidelidade partidária. Sem isso, continuaremos com um sistema pulverizado, que dificulta a formação de maiorias consistentes e compromete a estabilidade institucional.
Correio do Povo – Como o senhor avalia a relação entre os Poderes da República?
Álvaro Dias – Os Poderes precisam ser independentes, como determina a Constituição, mas também harmônicos. O que não pode existir é conflito permanente entre instituições.
As pessoas passam pelos cargos, mas as instituições permanecem. Quando há tensão excessiva entre Executivo, Legislativo e Judiciário, quem perde é a sociedade, que precisa de estabilidade e segurança jurídica.
Defendo respeito institucional absoluto e limites claros para cada Poder, sem sobreposição de funções.
Correio do Povo – O senhor costuma citar políticas públicas de educação e repasses aos municípios. Quais são suas principais contribuições nessa área?
Álvaro Dias – Eu sempre tive uma preocupação muito forte com a educação e com o fortalecimento dos municípios. Uma das minhas atuações foi justamente no aperfeiçoamento dos mecanismos de financiamento da educação básica, como o salário-educação.
Defendo a ampliação e a estabilidade desses repasses para que os municípios tenham previsibilidade no planejamento das suas políticas educacionais. A educação não pode ficar refém de instabilidade orçamentária.
Também acredito na descentralização, porque é no município que a política pública acontece de forma mais direta.
Correio do Povo – Qual deve ser o papel do Senado em um país marcado por crises políticas recorrentes?
Álvaro Dias – O Senado precisa recuperar sua função essencial, que é a de Casa de revisão e de fiscalização do Poder Executivo federal.
O senador não existe apenas para buscar recursos para sua base eleitoral. Ele existe para legislar com visão nacional, fiscalizar o governo e aperfeiçoar as instituições. Quando o Senado cumpre esse papel com firmeza, ele ajuda a evitar abusos, melhora a qualidade das decisões públicas e fortalece a democracia. Esse é o papel que eu defendo e que sempre procurei exercer.



