Fogos de artifícios: um problema para animais, autistas e pessoas com síndrome de Down

Impacto pode gerar estresse e comportamentos agressivos

É comum em comemorações ao redor do Brasil, como Carnaval, Natal, Ano Novo, jogos de futebol, entre outros, o uso de fogos de artifício, porém em alguns casos pode prejudicar muito quem sofre com barulhos, como pets e pessoas com limitações sensoriais.

Fogos de artifício e animais de estimação

O ano-novo em Laranjeiras ficou marcado pela quantidade de pessoas fazendo apelo nas redes sociais para encontrar seus pets, que assustados e com muito medo acabaram fugindo.

Segundo o veterinário Everton Bêe, da clínica Agroveb, o grande problema da queima de fogos para os pets é que estes possuem uma sensibilidade auditiva muito maior que a humana, e eles não entendem o que está acontecendo. “Existem animais que são indiferentes, mas alguns podem ficar mais agressivos, e até mesmo fazer as necessidades fisiológicas. Outros podem convulsionar e vomitar. Há casos em que tentam fugir de qualquer maneira, e isso acaba causando uma série de problemas, porque às vezes o animal não consegue fugir e acaba se machucando”.

Ocorre que os pets podem ter tremor, vocalização, e vários outros problemas .

Everton explica que existem várias formas de driblar esses comportamentos. “O mais importante seria fazer companhia ao animal e ampará-lo durante a queima de fogos, para evitar que ele fique nervoso”.

O veterinário indica colocar o pet em um local dentro de casa, com as janelas fechadas, tentando abafar ao máximo o som que vem de fora. A televisão, rádio e ventiladores em volume alto colaboram para que ele não escute tanto os fogos.

Um ponto importante segundo Everton, é não deixar o animal na coleira, porque ele pode acabar se enforcando, ou tentar pular e ficar pendurado.

TEA e Síndrome de Down

As comemorações que utilizam fogos de artifício, geram muitos apelos de mães e cuidadores de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e síndrome de Down para que não haja estampidos muito altos, pois isso gera crises em crianças e adultos.

Muitos indivíduos com essas limitações apresentam uma hipersensibilidade sensorial aos estímulos do ambiente. O fator, é inclusive um dos critérios levados em conta na hora de fechar o diagnóstico. Um latido de um cachorro ou uma buzina de caminhão, por exemplo, são suficientes para causar pânico principalmente em crianças.

É como se eles escutassem todos os sons do ambiente de uma só vez, sem focar a atenção em nenhum deles, provocando uma sobrecarga naquele sentido.

Essa hipersensibilidade sensorial, segundo neurologistas, ainda pode acontecer em outros sentidos. No caso do tato: a criança pode ter medo de texturas e evitar andar descalço na grama ou usar meias, por exemplo. Quando atinge o paladar, pode fazer com que o indivíduo coma apenas alimentos pastosos ou secos.

No campo visual, luzes intensas como a dos fogos, podem provocar sobrecarga sensorial, que acaba causando desconforto e até comportamentos agressivos neles.

Para que esse problema seja evitado, recomenda-se procurar espaços com pouco barulho, onde exista pouca ou nenhuma possibilidade de ruído, a fim de não expor a pessoa a condições desconfortáveis.

Foto: Reprodução

Reivindicação

Há uma reivindicação coletando assinaturas para o cumprimento de suas atribuições e a regulamentação imediata da lei 022/2020 que “proíbe o manuseio, a utilização, a queima, a soltura e a venda de fogos de artifício e quaisquer artefatos pirotécnicos, que causem poluição sonora, com potencial de produzir danos à saúde e a vida de pessoas e animais, em Laranjeiras do Sul”.

A solicitação é que o Poder Executivo indique o órgão fiscalizador, um canal de contato para denúncias, e inicie, imediatamente, campanhas de esclarecimento antes de começar a penalização conforme os artigos da Lei. Assine aqui a Petição.

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