Calouros da UFPR são queimados com creolina durante trote

Prática comum entre recém aprovados em vestibulares passou dos limites

Na tarde desta quarta-feira (30), 25 calouros da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com sede em Palotina, sofreram queimaduras durante um trote. De acordo com a Polícia Militar (PM), os alunos do curso de Medicina Veterinária, foram queimados com creolina, um desinfetante e germicida, com comprovada ação bactericida e fungicida, de uso veterinário.

Estudantes realizavam “pedágio” para pedir dinheiro no centro da cidade, prática comum durante os trotes, quando um grupo de veteranos levou os calouros até um terreno próximo da universidade e lá tudo aconteceu.

De acordo com Gabriel Holtz, uma das vítimas, a “brincadeira” foi além. “Foi horrível, eles mandaram a gente se ajoelhar no chão, jogaram água gelada, leite azedo e a creolina” disse o estudante.

Gabriel ainda comentou que todos questionaram sobre o que eram aqueles líquidos, e os veteranos explicaram que não causariam ferimentos e foi justamente por isso que todos aceitaram o trote. Logo depois o líquido na pele começou a arder, uma estudante chegou a desmaiar e na sequência todos foram encaminhados para atendimento hospitalar.

Nesta manhã os alunos registraram um Boletim de Ocorrência e o crime deve ser investigado. A Polícia Civil informou que trabalha no caso, que vai ouvir as vítimas e identificar os responsáveis pelos ferimentos. Um dos alunos sofreu queimaduras de terceiro grau. Os envolvidos podem responder por tortura e lesão corporal de natureza grave. 

Em nota a UFPR se pronunciou:

A Universidade Federal do Paraná adota a posição institucional do trote sem violência, na conscientização dos alunos de que a recepção aos calouros deve ser um momento de alegria e integração com os veteranos. A UFPR não tolera nenhum tipo de violência e o episódio infeliz envolvendo calouros em Palotina é um caso isolado. A direção do Setor Palotina já abriu o processo de apuração de responsabilidade sobre esta ação de trote violento que resultou em queimaduras nos calouros.

O Reitor Ricardo Marcelo Fonseca enfatiza: ‘em primeiro lugar me solidarizo com os calouros e suas famílias, que deveriam estar em um momento de comemoração, alegria e não de dor. Porém, ressalto que a UFPR está indignada e que tomaremos rigorosas e imediatas medidas de apuração de responsabilidades, na medida que temos tolerância zero com relação ao trote violento e todas as demais formas de violência física, verbal ou mesmo simbólica’.

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