Combate ao desperdício, inclusão social e ajuda a entidades: tudo no Banco de Alimentos

Por mês, os detentos movimentam 280 toneladas de alimentos, que são distribuídos a dois tipos de público.

Em Curitiba, passam 17 mil pessoas a cada dia e muitas toneladas de frutas, verduras, legumes e cereais pela Ceasa (Centrais de Abastecimento). Uma parte de todo esse volume de alimentos acaba não sendo aproveitada no comércio. Quem evita um prejuízo com o desperdício é o Banco de Alimentos da Ceasa, uma iniciativa de coletar e aproveitar produtos não comercializados. E quem faz a separação e embarque desses alimentos é um grupo de detentos e detentas do sistema prisional do Paraná. Ao mesmo tempo em que eles ajudam a reduzir o desperdício de alimentos, eles também conseguem reinclusão social e ainda ajudam diversas famílias e entidades da Grande Curitiba.
O Banco de Alimentos já existe há alguns anos, com o objetivo de aproveitar alimentos não comercializados na Ceasa e doar para instituições e famílias em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa de se aproveitar o trabalho dos detentos começou em abril deste ano, por causa de uma situação peculiar. A quantidade de alimentos não comercializados aumentou, devido à pandemia do coronavírus. Assim, também aumentou a demanda por mão de obra para separação e carregamento desses alimentos. E firmou-se um convênio entre a Ceasa, o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) e o Escritório Social.


A colheita
Os detentos que trabalham na Ceasa fazem parte do grupo de monitorados. Cumprem pena com tornozeleira eletrônica; não estão na cadeia. A equipe inicia os trabalhos às 7 horas e vai até as 15 horas. A coleta é feita nos boxes dos permissionários ou no mercado do produtor. As mulheres fazem o processamento e seleção dos alimentos e os homens trabalham na carga e descarga. Atualmente, todo esse trabalho é executado por 34 detentos ao todo, e apenas por eles. E a equipe de monitorados dá conta do recado. Mesmo considerando que, depois que a pandemia começou, houve meses em que o volume de alimentos era 100% superior ao mesmo mês no ano passado.
“Tem muito preconceito quanto a isso, mas esse trabalho para nós é importante e para eles também. Eles estão tendo trabalho”, disse o diretor técnico e gerente da Ceasa Curitiba, Paulo Ricardo da Nova. “Trabalham de forma excepcional. É um orgulho ter eles aqui conosco, são parceiros. Se precisar trabalhar um pouco mais, eles estão ali. Eles se orgulham do que fazem”.
 

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