Greve dos caminhoneiros: o que motoristas esperam da luta

Valores de fretes baixos, combustível com preço exorbitante são algumas das reivindicações

O Brasil acordou ontem (1º) com os olhos voltados para as estradas. Ao longo das últimas semanas, entidades ligadas a caminhoneiros convocaram uma greve contra o aumento no valor do combustível e a tabela de frete.

Em maio de 2018, centenas de caminhões pararam nas estradas do Brasil como protesto contra os sucessivos aumentos, o que acabou ficando apenas no papel.

De acordo com divulgação em redes sociais da Polícia Rodoviária Federal do Paraná (PRF) no período da manhã de ontem, as rodovias do Paraná encontram-se com livre fluxo de veículos, não havendo nenhum ponto de retenção total.

Luta

Segundo o caminhoneiro Laranjeirense Juliano Alves Penteado, que está há 15 anos na estrada, um dos questionamentos é por conta de fretes defasados, valores que são os mesmos a pelo menos 10 anos. Outro motivo seria o descumprimento da lei que prevê o piso mínimo de fretes. “As transportadoras estão repassando frete bem abaixo do valor e o preço altíssimo do diesel consome até 75% do valor recebido’’.

Segundo Juliano, os valores dos pedágios prejudicam o lucro dos trabalhadores o que faz sobrar ainda menos. “O alto valor dos pedágios não é embutido no frete, mas sim pago pelo caminhoneiro, reduzindo seu lucro’’, destaca.

Outro pedido dos caminhoneiros é para que o governo ative o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que é uma série de números obtida através do cadastro da operação de transporte no sistema eletrônico da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) O objetivo desse código é regulamentar e fiscalizar o pagamento do valor do frete referente à prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas.

 ”O documento impedirá a transportadora de repassar frete abaixo do estipulado e isso é de extrema segurança para os motoristas’’, afirma o caminhoneiro

Juliano diz que as leis que abrigam os caminhoneiros existem, mas não são cumpridas. “Um exemplo é o tempo de espera para carga e descarga, que seria de cinco horas, mas muitas vezes ultrapassa 24 horas, usando o caminhão como depósito e sem ganhar estadia”.

Decisões

Decisões de juízas do Tribunal de Justiça de São Paulo e da Justiça Federal do Paraná proibiram o bloqueio das estradas Presidente Dutra, a Régis Bitencourt, a BR-116 e a BR-376. As vias corriam o risco de serem bloqueadas por caminhoneiros que anunciaram greve com início marcado para ontem.

Em caso de descumprimento da medida tomada, foi estipulada uma multa no valor de R$500 por hora para cada manifestante.

As decisões foram provocadas por concessionárias de rodovias localizadas em São Paulo e no Paraná.