Eleitor de Laranjeiras vota à esquerda no cenário nacional e ao centro no Paraná

Série analisa os resultados de 2022 e 2024 para identificar tendências e o perfil político do maior colégio eleitoral da Cantu

O resultado de uma eleição mostra quem venceu. A análise de várias eleições revela como pensa o eleitor. É com esse objetivo que o Correio do Povo inicia a série ‘O Peso do Voto na Cantu’, um levantamento sobre o comportamento eleitoral nos municípios da Cantuquiriguaçu. A partir dos resultados das eleições gerais de 2022 e das municipais de 2024, as matérias irão comparar o desempenho de candidatos e partidos em cada cargo para identificar tendências, mudanças de posicionamento e o peso de cada campo político nas urnas. Mais do que revisitar o passado, a série busca, com base nos dados, compreender o perfil do eleitor de cada município e apontar quais sinais podem influenciar as escolhas nas eleições de 2026. Após a definição das urnas no próximo pleito, o levantamento será retomado para comparar os resultados e identificar o que mudou no comportamento do eleitor. Nossa primeira matéria traz um retrato de Laranjeiras do Sul, maior cidade e principal colégio eleitoral da região.

Presidente e governador

Em 2022, Laranjeiras deu maioria a Lula no primeiro turno da eleição presidencial, com 10.256 votos, ou 53,96% dos válidos. Jair Bolsonaro ficou em segundo, com 7.698 votos, ou 40,50%. No segundo turno, a cidade também ficou com Lula, o que confirma que a preferência majoritária no município não mudou na reta final da disputa.

Na eleição para governador, o quadro foi de empate técnico entre os dois principais campos. Ratinho Junior, do PSD, fez 8.627 votos, ou 48,74%, enquanto Roberto Requião, do PT, somou 8.539, ou 48,24%. A diferença foi pequena e mostra um eleitorado dividido entre uma esquerda competitiva e uma direita de perfil mais moderado.

Senado e Câmara

Na corrida ao Senado, Álvaro Dias foi o mais votado em Laranjeiras, com 5.454 votos, ou 32,83%. Depois vieram Paulo Martins, com 3.693 votos, 22,23%, Sergio Moro, com 3.509, 21,12%, e Rosane Ferreira, com 3.351, 20,17%. O resultado mostra um centro forte, com peso também para nomes da direita e espaço menor para candidaturas ligadas à esquerda.

Na disputa para deputado federal, o voto foi mais espalhado. Geraldo Mendes liderou com 2.886 votos, 16,13%, seguido por Gleisi Hoffmann, com 2.521, 14,09%, Sérgio Souza, com 1.762, 9,85%, e Leandre Dal Ponte, com 1.155, 6,46%. Já para deputado estadual, Ademar Traiano fez 2.366 votos, 13,32%, e Professor Lemos, 2.244, 12,64%, em uma disputa que também deu espaço a nomes como Chico da Lotação, com 1.774, e Rafael Moura, com 1.045.

O voto local em 2024

Em 2024, a eleição municipal manteve a força de candidaturas de perfil mais pragmático. Jaison Mendes, do União, venceu para prefeito com 11.757 votos, ou 61,81% dos válidos, contra 7.264 de Valdemir Scarpari, do PSD, que fez 38,19%. O resultado confirma o peso de alianças locais e de nomes já conhecidos do eleitor.

Na Câmara, a votação ficou pulverizada entre vários candidatos, sem um bloco ideológico único dominando o quadro. Isso reforça uma marca do município de que quando a eleição é mais local, o voto tende a seguir redes pessoais, grupos municipais e lideranças regionais, mais do que a polarização nacional.

Leitura política

O retrato das duas eleições mostra um eleitorado de Laranjeiras do Sul com preferência mais clara por Lula na disputa presidencial e um centro forte nas eleições proporcionais e municipais. A esquerda aparece competitiva, sobretudo na disputa ao Planalto e no governo estadual, mas o voto para Senado, Câmara e prefeitura se distribui com mais força entre nomes de centro e de direita moderada.

Em síntese, o município não pode ser lido como reduto de um único campo. O que se vê é um voto misto em que a esquerda é forte no topo da chapa em 2022, equilíbrio no governo, centro com peso no Senado e na Câmara, e pragmatismo na eleição local de 2024.

Foco do eleitor

Em 2022, Laranjeiras do Sul teve 19.008 votos para presidente e 17.672 para governador. A diferença foi de 1.336 votos, o que indica que parte do eleitorado foi às urnas e escolheu a disputa nacional, mas não marcou a estadual. Esse tipo de queda costuma aparecer quando o eleitor dá mais peso ao cargo de maior visibilidade e deixa a eleição seguinte em segundo plano.

Isso ajuda a entender o comportamento do voto no município. A eleição para presidente mobilizou mais gente do que a disputa para governador, sinal de que o tema nacional teve mais força na cidade do que a corrida paranaense. Em termos percentuais, a votação para governador ficou cerca de 7,0% abaixo da votação para presidente, uma diferença relevante para mostrar que nem todo eleitor acompanha a mesma intensidade todas as etapas da urna.

Outro dado que ajuda a ler o comportamento do eleitor é a taxa de presença nas urnas. Em 2022, Laranjeiras do Sul tinha 24.223 eleitores aptos, mas só 19.577 compareceram, o que deixa uma abstenção de 19,18%, ou 4.646 pessoas fora da votação. Isso mostra que, mesmo com alta mobilização para presidente e governador, quase um quinto do eleitorado ficou de fora, o que reduz a força do voto total e ajuda a explicar por que a disputa fica mais concentrada entre os que efetivamente comparecem.