Dos bailes do interior aos palcos do Paraná: a força da Naativa
Em entrevista ao ‘PodCor’, João Manoel, Deividi Lima e Rodrigo Moreira relembram a trajetória da banda e revelam os próximos passos do grupo
A paixão pela música, as raízes no interior e a retomada de um projeto que nasceu há mais de uma década marcaram a participação da Banda Naativa no episódio 21 do ‘PodCor’. Representada pelos músicos João Manoel, Deividi Lima e Rodrigo Moreira, a banda compartilhou histórias da infância, os desafios do início da carreira e os planos para o futuro do grupo, que voltou aos palcos neste ano.
Com sede em Rio Bonito do Iguaçu e integrantes ligados também a Porto Barreiro, a banda retomou as atividades em março após um período de pausa. A formação atual reúne músicos que já atuavam juntos antes da pandemia e que decidiram resgatar o projeto original diante da demanda por bailes, festas comunitárias e eventos na região.
João Manoel: da igreja aos bailes da região
A relação de João Manoel com a música começou ainda na infância. Filho e sobrinho de músicos, ele cresceu em um ambiente onde instrumentos faziam parte da rotina familiar. “Desde quando eu me lembro por gente, já estava com instrumento no colo”, contou. Segundo ele, os encontros em família sempre terminavam em rodas de música, com gaita e violão.
Foi também na igreja que surgiram os primeiros passos da banda. João relembrou que, ainda adolescente, começou a incentivar o amigo Deividi a tocar. A partir daí, passaram a se dedicar aos ensaios e à formação de um grupo.
Uma das histórias mais lembradas por ele ocorreu quando os músicos ensaiavam em um pavilhão cedido pela comunidade. Sem planejamento, acabaram conseguindo a primeira apresentação remunerada. “Uma mulher perguntou quanto a gente cobrava para tocar no casamento. Nem tínhamos tocado em evento ainda. Fechamos na hora”, relembrou. Hoje, João vê a retomada da banda como uma nova etapa. “Projeto a gente tem bastante. Agora estamos com uma equipe bem legal e vamos trabalhar para trazer novidades”, afirmou.
Sua preferência pessoal é pela música gaúcha, além de Anjos do Hangar. No entanto, reconhece a necessidade de adaptar o repertório aos gostos do público.
Deividi Lima: da bateria improvisada ao retorno da banda
Ao contrário de João, Deividi Lima afirma que não demonstrava grande interesse pela música quando criança. A mudança aconteceu por influência do amigo. “O João era envolvido com uma gaitinha, sempre tocando. Eu não era muito afim”, contou. Segundo ele, tudo começou quando passou a frequentar a igreja e improvisou uma bateria utilizando um teclado.
Com o tempo, os ensaios deram lugar às apresentações. A banda cresceu, passou por mudanças e, após a pandemia, os integrantes criaram outro projeto musical, o Trio da Cana. Mais tarde, decidiram retomar a Naativa. “A nossa região tem muito bailão, muita festa de comunidade. O pessoal pedia para a gente voltar a tocar baile. Então resolvemos voltar com a Banda Naativa”, explicou.
Entre as influências, ele destacou bandas como Charlie Brown Jr., CPM 22, NX Zero e Nenhum de Nós. O repertório pessoal inclui ainda pagode, Armandinho e outros gêneros. Apesar da variedade, ele destacou que Charlie Brown Jr. permanece como uma das principais influências da sua vida.
Deividi também destacou que o grupo busca ampliar a atuação para casamentos, formaturas, aniversários e eventos corporativos.
Rodrigo Moreira: festivais e influência do sertanejo
Rodrigo Moreira iniciou sua trajetória em festivais. Ele contou que trabalhava na roça quando recebeu incentivo do pai. “Meu pai me inscreveu em um festival. Eu fui meio sem jeito, mas acabei ficando em primeiro lugar”, recordou.
A experiência abriu portas para novos convites e o levou a integrar grupos musicais da região. “Eu cresci escutando Zezé de Camargo, Leonardo e vários outros nomes”, afirmou, sobre suas influências. Rodrigo destaca que a versatilidade é uma das características da banda. “Você tem que cantar o que o público gosta, não só o que você gosta”, resumiu.
Atualmente, a Banda busca ampliar a presença em eventos regionais e estaduais. Em maio, a banda se apresentou em Curitiba, São José dos Pinhais, Umuarama, Dois Vizinhos, Candói, Laranjeiras do Sul, Rio Bonito do Iguaçu, Chopinzinho, entre outros municípios, no último sábado (13), em Cascavel, e no último domingo (14), no Arraiá do Lions Clube em parceria com a Farmácia Santa Terezinha, em Laranjeiras.
Segundo os integrantes, a retomada das atividades resposta positiva do público, e boa parte das datas já está encaminhada até dezembro.
Com raízes no interior e trajetória construída em igrejas, festivais e bailes, os músicos afirmam que o objetivo segue o mesmo dos primeiros anos: levar música para diferentes públicos e manter vivo um projeto que nasceu da amizade e da paixão pelos palcos.



