Operarianos abrem mão de conforto e assistem jogo no portão do Laranjão

Acreditando na importância do fator motivacional, 12 integrantes da Sangue Rubro-Negro incentivaram o time do lado de fora do ginásio, durante o duelo contra o CAD, na quarta-feira. Alvo adversário da vez foi o técnico Baiano

Não é só nas finanças que os portões fechados interferem no dia a dia dos clubes de futsal. Para o Operário Laranjeiras, por exemplo, que concluiu 2019 com média de 1.7 mil torcedores em plena 3ª divisão do estadual, a questão passa também pela motivação dos atletas da casa e no peso do fator fator casa. 
Mesmo de longe, os adeptos do Rubrão têm feito o possível para expressar apoio à campanha na segundona, que o time lidera. A Torcida Organizada Sangue Rubro-Negro já organizou almoços e ações nas ruas de Laranjeiras do Sul buscando arrecadar dinheiro ao time. Na quarta-feira (23), no duelo contra o CAD, os “loucos” pelo Operário chamaram a atenção novamente. 
Cerca de 12 integrantes resolveram abdicar de assistir à partida no conforto do sofá de casa e foram ao portão principal do Laranjão. Lá, antes, durante e depois que a bola rolou, pularam, cantaram e fizeram barulho com batuques
O som chegou à quadra de jogo e, de certa forma, transferiu o incentivo aos atletas, que venceram por 3×1. “Contra o Bituruna, cantamos durante e depois do jogo, mas assistimos na lanchonete em frente ao ginásio. Na partida diante do São Miguel, nos reunimos em outro lugar e acredito que o time sentiu falta. Talvez, se estivéssemos por lá, poderíamos ter ajudado. Ontem, resolvemos não arredar o pé do portão do Laranjão”, conta o presidente da organizada, Renan Jakobouski. 


Das grades de entrada, os membros da organizada não tinham uma visão privilegiada do decorrer do confronto. Conseguiam, no máximo, acompanhar o que se passava em frente ao gol defendido por Victor Hugo, do CAD. 
“Vimos o lance do gol do Dudu. Mas no de São Pedro e Keven, enxergamos apenas a bola estufando as redes”,  diz Renan. 

A Sangue é responsável por agitar os jogos do Operário no Laranjão
Foto: Reprodução/Sangue Rubro-Negro 

O celular do vice-presidente da Sangue, Denis Migliorini, chegou a ser improvisado como tevê. Tela pequena para espectadores numerosos, que não paravam quietos. “Nós organizamos tudo em meia hora. Um jogador enviou mensagem para o Evandro Muller, pedindo para fazermos um agito. Nisso, falei com o pessoal da bateria e iniciamos tudo. Pretendemos voltar a fazer isso nos próximos jogos em casa”, explica Denis. 

“Temos com intuito apoiar o clube e desestabilizar o adversário, buscando com que ganhemos o jogo. Somos educados, não inscrevemos ninguém sem idoneidade. A gente pega no pé do jogador melhor, para que o cara se irrite”, explica o torcedor Erondi Muller. 


Baiano: o alvo da vez

Sangue Rubro-Negro não poupou de zoação: “Luciano colocou Baiano no bolso”
Foto: Reprodução/Sangue Rubro-Negro

Escolher alguém do time adversário para “pegar no pé” durante a partida tem sido uma estratégia muito explorada pelos rubro-negros. “No ano passado, contra o Prude, o Biro foi expulso, praticamente, na pressão da torcida. O Linhares não desempenhou o melhor futsal por conta da nossa pilha”, acredita Renan. 

Na quarta-feira, o alvo foi o técnico Eduardo Coelho, o ‘Baiano’, detentor de mais títulos da Série Ouro. Além das provocações, as comparações com Luciano Bonfim foram inevitáveis. Quem estava do lado de dentro do ginásio, pôde ouvir os cânticos de ironia e provocação ao visitante. “Doutor, eu não me engano, o Luciano é melhor que o Baiano”, foi uma das frases a eclodir portão adentro – entre outras de linguagem “menos poética”. 

Durante o jogo, Baiano foi intenso. Gritou, gesticulou e reclamou da arbitragem. O comportamento não foi aprovado pelos operarianos. “Conhecíamos-o pela mídia. Pode ser do perfil dele mas, pelo histórico que tem, poderia ser mais humilde. Acho o Luciano um técnico vitorioso e nos passa uma simplicidade enorme. Consideramos nosso treinador um astro da modalidade e esperávamos uma imagem parecida do Baiano. Acabamos vendo um cara reclamão e que chora o jogo todo. Pegamos no pé pois vimos que ele estava ficando pilhado e a arbitragem já estava conversando com ele”, justifica Renan. 
 
O que Baiano acha disso tudo?

A reportagem conversou com o comandante do CAD sobre os gritos da torcida laranjeirense direcionados a ele. Baiano disse encarar as provocações com normalidade. “Enquanto for rivalidade sem violência, considero ótimo. O clima do jogo fica diferente. Até brinquei depois com um integrantes deles, disse: 'que torcida chata' (risos). Uma hora, trocaram uma palavra da música e cantaram ‘Luciano maior que o Baiano’. Eu disse: ‘mas maior como? olha o meu tamanho’ (risos)”. 
O técnico espera, no retorno das torcidas às arquibancadas, que os guarapuavanos sejam tão calorosos como os laranjeirenses. “O fato dos torcedores do Operário citarem, cantarem e gritarem o meu nome, é uma honra. Para mim, soa como respeito”. 

Em 2019, Operário teve média de público de 1,7 mil torcedores
Foto: Juliam Nazaré

Após o término do confronto, com final feliz para os anfitriões, a Sangue Rubro-Negro satirizou Eduardo na internet e publicou um meme, comparando-o com Luciano Bonfm. 

“As comparações são normais. Estou acostumado a ver isso com outros nomes, como Nei Victor. Sou chorão mesmo e o Luciano reclamou muito também. A diferença é que o operariano enxergará o ato dele com passionalidade. Comigo, será diferente”, diz Baiano, que aproveitou para criticar arbitragem da Série Prata. “Está em nível preocupante. Não colocam bons árbitros, que sabemos existir, para apitar o campeonato”.