Estudante da UFFS, trans revela dificuldade para enfrentar o preconceito

Estudante da UFFS, trans revela dificuldade para enfrentar o preconceito

O Dia da Visibilidade Trans foi criado em 2004, quando 27 transsexuais foram ao Congresso Nacional, em Brasília, em uma campanha elaborada por lideranças do Movimento de Pessoas Trans, em parceria com o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde.

A data passou a representar a luta cotidiana das pessoas trans, especialmente as que se encontram em situação de vulnerabilidade, pela garantia de direitos e pelo reconhecimento da sua identidade.

Thaisson Campos, de 23 anos, estudante do Campus de Laranjeiras do Sul da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) está na fase de transição. Ele faz tratamento online com um psicólogo e em breve começará a ingestão de hormônios. Ele diz que apesar de sofrer  preconceito e humilhações, ama sua história de vida e se vê mais feliz e entendido com a transição e acredita que poderá ajudar mais pessoas além dele.

“Acredito que tenham mais pessoas que ainda não se descobriram e vivem uma barra na sua vida, pode ser por uma postagem, uma foto minha,  farão eles olharem e acreditarem que não estão sozinhos e que existem mais pessoas lutando pela causa”, afirma.

Ele diz que não luta apenas pela causa transexual como também pela LGBT. ”Acredito muito nas pessoas, na transformação da sociedade. Elas vão se interar mais do que é ser diferente, do que é ser normal e do porque cada um ter suas particularidades e gostar de algo’’.

Preconceito

Thaisson revela a sua dificuldade para enfrentar o preconcieto. “Sofri em vários sentidos, mas me recordo mais de algumas situações que foram mais constrangedoras, o que me marca é o fato das pessoas não me respeitarem pelo nome- gênero’’. Afirma.

Ele entende que a sociedade está mudando e melhorando e tendo a clareza de enxergar que as pessoas transexuais têm os mesmos direitos de serem respeitadas assim como todos.

Reconhecimento

Reconhecido ao longo dos últimos anos em diferentes instâncias do Executivo e Judiciário, o direito de pessoas trans serem tratadas pelo nome com o qual se identificam foi legitimado por uma decisão histórica do Supremo Tribunal Federal em 2018. Ele garantiu a possibilidade de alteração do sexo e do nome presentes no registro civil sem obtenção de autorização judicial.

Por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral, travestis e transexuais mulheres passaram a poder se beneficiar da cota que estabelece a obrigatoriedade mínima de 30% de candidaturas femininas por partido nas eleições. Também foram criadas cotas para que estudantes trans acessem as universidades públicas, mas a política ainda esbarra na alta evasão escolar por parte dessa população no ensino básico.

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